Les Gens De Mon Pays
Les gens de mon pays ce sont gens de paroles
Et gens de causerie qui parlent pour s'entendre
Et parlent pour parler il faut les écouter
C'est parfois vérité et c'est parfois mensonge
Mais la plupart du temps c'est le bonheur qui dit
Comme il faudrait de temps pour saisir le bonheur
À travers la misère émaillée au plaisir
Tant d'en rêver tout haut que d'en parler à l'aise
Parlant de mon pays, je vous entends parler
Et j'en ai danse aux pieds et musique aux oreilles
Et du loin au plus loin de ce neigeux désert
Où vous vous entêtez à jeter des villages
Je vous répéterai vos parlers et vos dires
Vos propos et parlures jusqu'à perdre mon nom
Ô voix tant écoutées pour qu'il ne reste plus
De moi-même qu'un peu de votre écho sonore
Je vous entends jaser sur les perrons des portes
Et de chaque côté des cléons des clôtures
Je vous entends chanter dans ma demi-saison
Votre trop court été et mon hiver si longue
Je vous entends rêver dans les soirs de doux temps
Il est question de vents de vente et de gréements
De labours à finir d'espoirs et de récolte
D'amour et du voisin qui veut marier sa fille
Voix noires et voix durcies d'écorce et de cordage
Voix des pays plein-chant et voix des amoureux
Douces voix attendries des amours de village
Voix des beaux airs anciens dont on s'ennuie en ville
Piailleries d'écoles et palabres et sparages
Magasin général et restaurant du coin
Les ponts les quais les gares tous vos cris maritimes
Atteignent ma fenêtre et m'arrachent l'oreille
Est-ce vous que j'appelle ou vous qui m'appelez
Langage de mon père et patois dix-septième
Vous me faites voyage mal et mélancolie
Vous me faites plaisir et sagesse et folie
Il n'est coin de la terre où je ne vous entende
Il n'est coin de ma vie à l'abri de vos bruits
Il n'est chanson de moi qui ne soit toute faite
Avec vos mots vos pas avec votre musique
Je vous entends rêver douce comme rivière
Je vous entends claquer comme voile du large
Je vous entends gronder comme chute en montagne
Je vous entends rouler comme baril de poudre
Je vous entends monter comme grain de quatre heures
Je vous entends cogner comme mer en falaise
Je vous entends passer comme glace en débâcle
Je vous entends demain parler de liberté
As Pessoas do Meu País
As pessoas do meu país são pessoas de palavra
E gente de conversa que fala pra se entender
E falam só por falar, é preciso escutá-las
Às vezes é verdade e às vezes é mentira
Mas na maior parte do tempo é a felicidade que diz
Como seria bom ter tempo pra entender a felicidade
Através da miséria salpicada de prazer
Sonhando alto e falando à vontade
Falando do meu país, eu ouço vocês falarem
E eu danço com os pés e música nos ouvidos
E do longe ao mais longe desse deserto nevado
Onde vocês insistem em jogar vilarejos
Eu repetirei suas falas e seus ditos
Suas conversas e palavras até perder meu nome
Ó vozes tão ouvidas pra que não reste mais
De mim mesmo, só um pouco do seu eco sonoro
Eu ouço vocês tagarelar nos degraus das portas
E de cada lado das cercas e muros
Eu ouço vocês cantarem na minha meia-estação
Seu verão tão curto e meu inverno tão longo
Eu ouço vocês sonharem nas noites de tempo ameno
Falam de ventos de vendas e de arranjos
De lavouras a terminar, de esperanças e colheitas
De amor e do vizinho que quer casar sua filha
Vozes negras e vozes endurecidas de casca e corda
Vozes dos campos em canto e vozes dos apaixonados
Doces vozes amolecidas dos amores de vila
Vozes dos belos ares antigos que nos fazem falta na cidade
Gritos de escolas e conversas e barulhos
Armazém geral e restaurante da esquina
As pontes, os cais, as estações, todos os seus gritos marítimos
Chegam à minha janela e me arrancam a atenção
É você que eu chamo ou você que me chama
Linguagem do meu pai e dialeto do século dezessete
Vocês me fazem viajar mal e melancolia
Vocês me trazem prazer e sabedoria e loucura
Não há canto da terra onde eu não os ouça
Não há canto da minha vida a salvo dos seus ruídos
Não há canção minha que não seja toda feita
Com suas palavras, seus passos, com sua música
Eu ouço vocês sonharem doce como um rio
Eu ouço vocês estalarem como vela ao largo
Eu ouço vocês rujirem como queda na montanha
Eu ouço vocês rolarem como barril de pólvora
Eu ouço vocês subirem como grão de quatro horas
Eu ouço vocês baterem como mar em penhasco
Eu ouço vocês passarem como gelo em derretimento
Eu ouço vocês amanhã falarem de liberdade