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O Estranho no Gelo

Hubert-Félix Thiéfaine

L'étranger Dans La Glace

Descendre dans la soufflerie
Où se terre le mystère inquiet
Des ondes & de l'asymétrie
Des paramètres aux coeur violet
Je vois des voiles d'aluminium
Au fond de mon regard distrait
Des odeurs de mercurochrome
Sur le registre des mes plaies

Le vent glacé sur mon sourire
Laisse une traînée de buée
Quand je regarde l'avenir
Au fond de mes yeux nécrosés
Le vide à des lueurs d'espoir
Qui laisse une ombre inachevée
Sur les pages moisies de l'histoire
Où je traîne ma frise argentée

Mais mon regard s'efface
Je suis l'étranger dans la glace
Mais ma mémoire s'efface

La brume adoucit les contours
Des ratures sur mes triolets
La valse des nuits & des jours
Se perd dans un murmure discret
Les matins bleus de ma jeunesse
S'irisent en flou multicolore
Sur les molécules en détresse
Dans le gris des laboratoires

Mais mon regard s'efface
Je suis l'étranger dans la glace
Mais ma mémoire s'efface

O Estranho no Gelo

Descer na ventilação
Onde se esconde o mistério inquieto
Das ondas e da assimetria
Dos parâmetros com coração roxo
Vejo velas de alumínio
No fundo do meu olhar distraído
Cheiros de mercurocromo
No registro das minhas feridas

O vento gelado no meu sorriso
Deixa uma trilha de vapor
Quando olho para o futuro
No fundo dos meus olhos necrosados
O vazio tem lampejos de esperança
Que deixa uma sombra inacabada
Sobre as páginas mofadas da história
Onde arrasto minha franja prateada

Mas meu olhar se apaga
Sou o estranho no gelo
Mas minha memória se apaga

A névoa suaviza os contornos
Das rasuras nos meus triolets
A valsa das noites e dos dias
Se perde em um murmúrio discreto
As manhãs azuis da minha juventude
Se tornam em um borrão multicolorido
Sobre as moléculas em desespero
No cinza dos laboratórios

Mas meu olhar se apaga
Sou o estranho no gelo
Mas minha memória se apaga

Composição: