Cueca larga de los "Curaos"
Me gusta estar borracho, de vez en cuando,
para olvidar las penas que estoy pasando.
Con una copa, diaria, de vino tinto
soy amigo del nardo y de los jacintos.
Con dos copas hermano soy de las flores,
canto parecidito a los ruiseñores.
Con tres copas me atrevo a bailar contigo
y a invitar, cariñoso, y a mis amigos.
Con cuatro copas ando, de mesa en mesa,
sacando fantasías de mi cabeza.
Con cinco copas veo medio borroso
y el canto me lo escucho medio traposo.
Con seis copas me importa medio comino
y un cuarto de la piedra de los molinos.
Con siete copas bailo, de punta y taco,
con uniforme verde y con "gorra'e" paco.
Con ocho copas brindo por la María,
por la "guerra'e" Corea y la policía.
Con nueve copas siento que estoy "lanzao"
y me pongo contento de estar "curao".
Con diez copas me arrimo a la "dueña'e" casa
y me pilla el "marío", mano en la masa.
Con once copas salgo, por la ventana,
volando como diuca de la mañana.
Una "docena'e" copas en otra parte
y soy, de los "curaos" el estandarte.
Una docena y media, van dos docenas,
y comienza a "dentrarme" una "mansa" pena.
Dos docenas y media, ya estoy llorando,
p'a qué me curaría, sigo tomando.
Seis docenas, tres litros, póngale el macho,
p'a eso tengo billete y ando de lacho.
Una "botella'e" pisco y una muchacha,
para bailar, con ella, la cucaracha.
Mándele p'a la orquesta otra ponchera,
para ver si me tocan una ranchera.
Una ranchera, mi alma, traiga una agüita,
para atender, de lujo, a esta señorita.
Se me acabó la plata, yo pido "fiao",
p'a eso soy "conocío" y "respetao".
Póngamele a esta niña una mentita
para ver si mañana me hace "cosita".
¡Aro! ¡aro! ¡aro!
"Treinta y cinco limones tiene una rama,
cuarenta y cinco pesos cuesta la cama".
Remato mis espuelas que son de acero,
porque de aquí no salgo sin lo que quiero.
Ponga trago p'a "toos", pero a destajo,
porque y así es la cosa cuando me "rajo".
Remato mi caballo, ¿cuánto me cobra?
con esta yegua "rucia" tengo de sobra.
En el catre, durmiendo, y en otra casa
me despierto queriendo saber qué pasa.
¿Dónde están mis espuelas? ¿Y mi caballo?
Busco y recontra busco y no los hallo.
Dónde estará la niña, porque aquí al "lao"
hay un "güeón" durmiendo, "muerto'e" "curao".
La ventana con rejas, "tamién" la puerta
y hay un paco de guardia que no contesta.
Amanecí "precioso" "p'tas" que bello,
sin mina, sin caballo, y con "manso cuello".
Veinte lucas de fianza, tengo el reloj,
mi anillo de "casao", tres p'a las dos.
P'a la casa, de a "pata", voy caminando
y sé que mi señora me está esperando.
Y aquí termino el cuento, dejo "cerrao"
por si paso p'al patio de los "callaos".
Me "farrié" treinta lucas y un par de espuelas,
el "caballo'e" mi "taita", por la "chicuela".
Si por lo menos algo hubiera "agarrao",
pero ni me recuerdo de tan "curao".
Hay que ser muy "barbeta", para estas cosas,
¿A "usté" no le ha "ocurrío", compadre Rosas?
Por una "güena" pierna hasta el más "pintao"
con cinco copas de oro "se va cortao".
Moraleja p'a "toos" los "invitaos",
si alguno se sonríe, seguro que le ha "pasao".
Cueca Larga dos "Curaos"
Eu gosto de estar bêbado, de vez em quando,
para esquecer as penas que estou passando.
Com uma taça, todo dia, de vinho tinto
sou amigo do nardo e dos jacintos.
Com duas taças, irmão, sou das flores,
canto parecido com os rouxinóis.
Com três taças me atrevo a dançar contigo
e a convidar, carinhoso, meus amigos.
Com quatro taças ando, de mesa em mesa,
sacando fantasias da minha cabeça.
Com cinco taças vejo tudo meio embaçado
e a música me soa meio trapaceado.
Com seis taças me importa meio um cominho
e um quarto da pedra dos moinhos.
Com sete taças danço, de ponta e taco,
com uniforme verde e com "gorra'e" paco.
Com oito taças brindo pela Maria,
pela "guerra'e" Coreia e pela polícia.
Com nove taças sinto que estou "lançado"
e fico feliz de estar "curao".
Com dez taças me aproximo da "dona'e" casa
e sou pego pelo "marido", mão na massa.
Com onze taças saio, pela janela,
voando como diuca de manhã.
Uma "dúzia'e" taças em outro lugar
e sou, dos "curaos", o estandarte.
Uma dúzia e meia, vão duas dúzias,
e começa a "dentrar-me" uma "mansa" pena.
Duas dúzias e meia, já estou chorando,
pra que me curaria, sigo tomando.
Seis dúzias, três litros, ponha o macho,
pra isso tenho grana e ando de laço.
Uma "garrafa'e" pisco e uma moça,
pra dançar, com ela, a cucaracha.
Mande pra orquestra outra ponchera,
pra ver se tocam uma ranchera.
Uma ranchera, minha alma, traga uma água,
pra atender, de luxo, essa senhorita.
Acabou a grana, eu peço "fiado",
pra isso sou "conhecido" e "respeitado".
Ponha pra essa menina uma mentinha
pra ver se amanhã ela me faz "coisinha".
¡Aro! ¡aro! ¡aro!
"Trinta e cinco limões tem um galho,
quarenta e cinco pesos custa a cama".
Vendo minhas esporas que são de aço,
porque daqui não saio sem o que quero.
Coloque bebida pra "todos", mas a rodo,
porque assim é a vida quando me "rajo".
Vendo meu cavalo, quanto me cobra?
com essa égua "ruiva" tenho de sobra.
Na cama, dormindo, e em outra casa
me acordo querendo saber o que passa.
Onde estão minhas esporas? E meu cavalo?
Busco e busco e não os acho.
Onde estará a menina, porque aqui ao "lado"
há um "güeón" dormindo, "morto'e" "curao".
A janela com grades, "também" a porta
e há um policial de guarda que não responde.
Amanheci "precioso" "p'tas" que belo,
só sem mina, sem cavalo, e com "manso pescoço".
Vinte mil de fiança, tenho o relógio,
meu anel de "casado", três pra duas.
Pra casa, a "pé", vou caminhando
e sei que minha senhora está me esperando.
E aqui termino a história, deixo "fechado"
caso passe pro pátio dos "calados".
Me "farrié" trinta mil e um par de esporas,
o "cavalo'e" meu "pai", por causa da "chicuela".
Se pelo menos algo eu tivesse "pegado",
mas nem me lembro de tão "curao".
Tem que ser muito "barbeta", pra essas coisas,
"A você" não lhe aconteceu, compadre Rosas?
Por uma "boa" perna até o mais "pintado"
com cinco taças de ouro "se vai cortado".
Moral da história pra "todos" os "convidados",
se alguém sorrir, com certeza já lhe "aconteceu".
Composição: Tito Fernández