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Clementina

Tom Lehrer

Clementine

I should like to consider the folk song and expound briefly on a theory I have held for some time to the effect that the reason most folk songs are so atrocious is that they were written by the people. If professional song writers had written them instead, things might have turned out considerably differently. For example, consider the old favourite, with which I'm sure you are all familiar, Clementine, you know:

In a cavern
In a canyon
Da da daa, da da da daa

… a song with no recognisable merit whatsoever, and imagine what might have happened if, for example, Cole Porter had tried writing the song. The first verse might have come out like this:

In a cavern
In a canyon
Excava-ha-ha-hating for a mine
Far away from the boom, boom, boom of the city
She was so pretty
What a pity
Clementine.
O Clementine,
Can't you tell from the howls of me
This love of mine
Calls to you from the bowels of me?
Are you discerning the returning of this churning, burning, yearning for you,
Ooh, ooh, aah, aah.

Well supposing at this point that Mozart or one of that crowd had tried writing a verse, the next one might have come out as a baritone aria from an Italian opera somewhat along these lines:

Era legera
E come un fairy
E suo shoes numero nine
Herring bo-ho-ho-hoxes senza to-ho-ho-hopses
Sandale per Clementina si, per Clementina si,
Per Clementina sandaleka
Clementina sandaleka,
Clementine,
Clementina, Clementina, Clementina.
Herring boxes senza topses
Sandaleka Clementina,
Herring boxes senza topses
Sandaleka Clementine,
Che sciagura Clementina
Che sciagura Clementina
Cara Clementina cara Clementina-na-na-na.

Supposing at this rather dramatic juncture in the narrative one of our modern cool school of composers had tried writing a verse. The next one might have come out like this:

A one, a two, a three, doo doo doo doo doo doo doo
Drove those ducklings to the water
Yep rock, doodle a doo doo, ah ah
Every morning like 9 am
Whoopa da doo da doo doo da
Got her hung upon a splinter
Got her hung upon a splinter, doo da, hoo hoo
Fell into the foamy brine
Dig that crazy Clementine, man!

To end on a happy note one can always count on Gilbert and Sullivan for a rousing finale full of words and music and signifying nothing.

That I missed her depressed her
Young sister named Esther
This mister to pester she tried.
Now a pestering sister's a festering blister,
You'd best to resist her say I.
The mister resisted,
The sister persisted,
I kissed her - all loyalty slipped.
When she said I could have her
Her sister's cadaver
Must surely have turned in its crypt
Yes, yes, yes, yes!
For I love she and she loves me
Enraptured are the both of we
Yes I love she and she loves I
And will through all eternity.

See what I mean!

Clementina

Eu gostaria de considerar a canção folclórica e expor brevemente uma teoria que venho sustentando há algum tempo, a respeito de que a razão pela qual a maioria das canções folclóricas é tão horrível é que foram escritas pelo povo. Se compositores profissionais as tivessem escrito, as coisas poderiam ter saído bem diferentes. Por exemplo, considere o velho favorito, com o qual tenho certeza de que todos vocês estão familiarizados, Clementina, você sabe:

Em uma caverna
Em um cânion
Da da daa, da da da daa

… uma canção sem mérito reconhecível algum, e imagine o que poderia ter acontecido se, por exemplo, Cole Porter tivesse tentado escrever a canção. O primeiro verso poderia ter saído assim:

Em uma caverna
Em um cânion
Excava-ha-ha-hando por uma mina
Longe do boom, boom, boom da cidade
Ela era tão bonita
Que pena
Clementina.
Ó Clementina,
Você não consegue perceber pelos meus uivos
Esse amor que eu sinto
Chama por você das entranhas de mim?
Você está percebendo o retorno desse turbilhão, ardente, ansioso por você,
Ooh, ooh, aah, aah.

Bem, supondo que neste ponto Mozart ou algum daquelas figuras tivesse tentado escrever um verso, o próximo poderia ter saído como uma ária de barítono de uma ópera italiana, mais ou menos assim:

Era leve
E como uma fada
E seus sapatos número nove
Caixas de arenque bo-ho-ho-hoxes sem to-ho-ho-hopses
Sandálias para Clementina sim, para Clementina sim,
Para Clementina sandaleka
Clementina sandaleka,
Clementina,
Clementina, Clementina, Clementina.
Caixas de arenque sem tampas
Sandaleka Clementina,
Caixas de arenque sem tampas
Sandaleka Clementina,
Que tragédia, Clementina
Que tragédia, Clementina
Querida Clementina, querida Clementina-na-na-na.

Supondo que neste momento dramático da narrativa, um dos nossos compositores modernos e descolados tivesse tentado escrever um verso. O próximo poderia ter saído assim:

Um, dois, três, doo doo doo doo doo doo doo
Levou aqueles patinhos para a água
Yep rock, doodle a doo doo, ah ah
Toda manhã como às 9 da manhã
Whoopa da doo da doo doo da
Ficou presa em um farpa
Ficou presa em uma farpa, doo da, hoo hoo
Caiu na espuma do mar
Olha essa louca, Clementina, cara!

Para terminar em uma nota feliz, sempre podemos contar com Gilbert e Sullivan para um final empolgante cheio de palavras e música que não significam nada.

Que eu senti falta dela a deixou triste
Uma irmã jovem chamada Esther
Esse cara para incomodar ela tentou.
Agora, uma irmã que incomoda é uma bolha que fere,
É melhor você resistir a ela, digo eu.
O cara resistiu,
A irmã persistiu,
Eu a beijei - toda lealdade escorregou.
Quando ela disse que eu poderia tê-la
O cadáver da irmã dela
Com certeza deve ter se revirado em seu túmulo.
Sim, sim, sim, sim!
Pois eu amo ela e ela me ama
Enfeitiçados estamos nós dois
Sim, eu amo ela e ela me ama
E assim será por toda a eternidade.

Viu o que quero dizer!

Composição: Tom Lehrer