Fizera pouco em tê-lo deixado todo quebrado
Desfigurado, irreconhecível até pra mãe
Mãe, olha só que legal, carro que eu ganhei no natal
Tu que me deu, disse: Cuidado pra que não arranhe

Menino doido, tu quebrou até os friso
Tem noção do prejuízo?
Acho que o teu véi vai te matar
Os olhos dele esperando o carro do ano
Um modelo italiano
Que acabaram de inventar

Carrão da porra, tu pisava ele voava
Tu freava ele ancorava
E eu lá dentro a me debater
No bate-bate com a cabeça no volante
Voei pelo vidro da frente, a raiva preta eu não pude conter

Com o sangue quente
Cortei a testa
Quebrei os dente
E toda aquela gente
Peste! Num vem ninguém me ajudar
Nem se mexiam, pior que isso eles riam
Teto preto, o tempo fecha, os ovo inflama, ora do pau cantar

Eu quero é ver o oco
Só na mãozada eu deitei seis, mas detestei matar
Eu quero é ver o oco
Sem controle, tocando fole, é hora de dançar

Meu ódio por automotores começou cedo
Depois que eu tranquei os dedo na porta dum opalão
Meu pai de dentro se ria que se mijava
Achou que o filho festejava, era dia de cosme e damião
Depois do dedo, foi o braço, a perna as costa
Tu duvida, bate aposta
Pois muitos vão lhe testemunhar
Tanta fratura que deixô a doutora louca
É pino até no céu da boca
Tu cansa só de tentar contar

Eu quero é ver o oco
É pedir muito uma enfermeira vir me ajudar?
Eu quero é ver o oco
Ó enfermeira, gente boa, vem me medicar

Eu quero é ver o oco
Eu quero é ver o oco

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Composição: Rodolfo Abrantes. Essa informação está errada? Nos avise.
Enviada por Guilherme_Leal. Legendado por Joelmir. Revisão por Raphael. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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