Trilhos Urbanos (A Serpente)
Um Quarto de Quinta
Um certo dia com um medo na garganta
Eu não quis falar
No horizonte a duras penas
Só fiz gritar
Um recomeço de uma frase
Que me flechou
Um certo ar de desespero
Que em mim ficou
Volta e meia pela sala entre o quarto
E um cobertor
Aquele disco antigo de Raul aquele som
Que não rolou
Agora você vem me dizer
Que foi tudo engano
Desconfiada atravessando as teias
Por debaixo dos panos
E aquele teu retrato no espelho
Em preto e branco
Como pode um desespero durar muitos
E muitos anos?
Do quarto rolo pela escada
Vou ao elevador
No baú as letras mortas
De um velho, compositor
A minha idade me traduz pouco a pouco
Meus costumes
Entregue a uma desilusão profunda
A um betume
Você nunca parou para pensar
Nos nossos planos
Sou apenas uma serpente enrolada
Em trilhos urbanos
Você nunca deixou de me culpar
Por esses vários danos
Sou apenas uma serpente enrolada
Em trilhos urbanos
Você nunca parou para pensar
Em nossos planos
Sou apenas uma serpente enrolada
Em trilhos urbanos
Você nunca deixou de me culpar
Por esses vários danos
Sou apenas uma serpente enrolada
Em trilhos urbanos
Trilhos urbanos
Trilhos urbanos
Trilhos urbanos



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