Innocence abusée
Enfouie en mon sein,
Soulevant mes intestins,
Une pulsation nouvelle
En secret me harcèle.
Elle doublait si semblablement
Mon cœur et ses martèlements
Que baigné par la candeur,
Je ne vis pas poindre l'horreur.
Iniquité !
Innocence abusée !
Ce fut les bras ouverts et le sourire aux lèvres
Que j'accueillis, trompé, les démons de la fièvre
Qui tyranniquement abattirent leur aberrante colère
Et leurs tristes exactions de folie meurtrière
En mes organes et en ma chair mortifère.
Festin et débauche sur décors de misère.
Dès lors, le je banni erre en quête de son corps,
Arraché à son soi et expulsé au dehors,
Flottant aléatoirement entre agonie et mort.
Festin et débauche sur décors d'opprobre.
Aberration !
Tourment et déréliction !
Ce fut les membres mutilés et l'âme en peine
Que je dus porter en moi les démons de la fièvre
Qui tyranniquement abattaient leur aberrante colère
Et leurs tristes exactions de folie meurtrière
En mes organes et en ma chair mortifère.
Festin et débauche sur décors de misère,
Vouant le je banni à errer en quête de son corps,
Arraché à son soi et expulsé au dehors,
Flottant aléatoirement entre agonie et mort.
Festin et débauche sur décors d'opprobre.
Ainsi la pulsation s'amplifia
Et la douleur à son tour s'intensifia
À tel point que toutes deux ne formèrent plus qu'une
Seule et même infortune.
Plus qu'une également avec ma vie elle-même
Réduite à cette agonie suprême,
Incessante et entêtante,
Hélas toute-puissante...
Que faire lorsque le regard
N'épouse plus les formes pures du hasard
Mais voit sa compréhension dictée
Par une violence imposée ?
Que faire lorsque chaque acte du sentir
Se fait immanquablement pervertir
Pour finalement ne rien retenir d'autre
Qu'un reflet monochrome de spectres ?
Inocência Abusada
Enterrada em meu peito,
Levantando meus intestinos,
Uma nova pulsação
Em segredo me persegue.
Ela duplicava tão semelhantemente
Meu coração e seus martelamentos
Que, banhado pela candura,
Não vi surgir o horror.
Iniquidade!
Inocência abusada!
Foi de braços abertos e sorriso nos lábios
Que recebi, enganado, os demônios da febre
Que tiranicamente desabaram sua aberrante raiva
E suas tristes exações de loucura assassina
Em meus órgãos e em minha carne mortífera.
Festa e devassidão em cenários de miséria.
Desde então, o eu banido vagueia em busca de seu corpo,
Arrancado de si mesmo e expulso para fora,
Flutuando aleatoriamente entre agonia e morte.
Festa e devassidão em cenários de opróbrio.
Aberração!
Tormento e desolação!
Foi com os membros mutilados e a alma em dor
Que eu tive que carregar em mim os demônios da febre
Que tiranicamente desabavam sua aberrante raiva
E suas tristes exações de loucura assassina
Em meus órgãos e em minha carne mortífera.
Festa e devassidão em cenários de miséria,
Condenando o eu banido a vagar em busca de seu corpo,
Arrancado de si mesmo e expulso para fora,
Flutuando aleatoriamente entre agonia e morte.
Festa e devassidão em cenários de opróbrio.
Assim a pulsação se amplificou
E a dor, por sua vez, se intensificou
A tal ponto que ambas não formaram mais que uma
Só uma mesma desgraça.
Mais que uma também com minha vida mesma
Reduzida a essa agonia suprema,
Incessante e insistente,
Infelizmente toda-poderosa...
O que fazer quando o olhar
Não abraça mais as formas puras do acaso
Mas vê sua compreensão ditada
Por uma violência imposta?
O que fazer quando cada ato do sentir
Se torna inevitavelmente pervertido
Para, no final, não reter nada além
De um reflexo monocromático de espectros?