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Rictus de Morte e de Lágrimas

Unholy Matrimony

Rictus de Mort et de Larmes

Glaciale étreinte, rictus de mort et de larmes
Qui tous les sentiments infecte et détourne.
Ineffable, pourtant si présente, je suis l'arme,
Que contre moi lâchement tu retournes.

Le hasard se projette sur les âmes
Métamorphosant leur existence en drame.
Pas de question, pas de raison
Pas de pourquoi, juste ce poids,
Cette immobilité transpercée par aucun son
Ni par l'écho d'aucune voix.
Juste ce regard de cyclope, immobile
Constamment posé sur ma carcasse si fragile.

Tu me suis mais point par amour ;
Décrivant des cercles pareils aux vautours.
Lourds et lents vacillements sans scintillements
Étouffant l'esprit naguère valeureux si misérablement ;
Enserrant ma gorge de tes serres acérées
Et écorchant mon souffle de ta morsure gelée.

Malgré ta malveillance, nous sommes intimes.
Nous partageons les détails les plus infimes ;
Tu sembles mieux me connaître que qui que ce soit
Et je pressens chacune de tes interventions en moi.

Tu ne m'aimes pas et pourtant tu me définis ;
Désormais à toi je m'authentifie.
Plus jamais nous ne serons séparés
Car ta haine dont j'ai pu goûter m'a contaminé.

Des sentiments nouveaux m'envahissent ;
D'aussi profond qu'ils proviennent, je les sens qui me maudissent.
Mon œil se teinte de rouge et le sang se répand
Sur ce monde qui m'entoure et sur ses habitants.
Dès lors, une soif nouvelle m'obsède :
Celle de venger ma vie qui décède,
Arrachée à son chemin par cette inconnue
Dont personne ne veut évoquer la venue.

Et pourtant, la voilà en moi,
La voilà devenue moi,
Détournant mon sang, s'immisçant dans mon temps
Répandant en mon sein son feu ardent.
Mais voilà que déjà ma chair s'embrase
Encouragée par ma vengeresse extase
Transformant alors mon corps
En pourvoyeur de mort,
De possédé à dé-possesseur
En un ultime soubresaut de fureur.

Rictus de Morte e de Lágrimas

Abraço glacial, rictus de morte e de lágrimas
Que infecta e desvia todos os sentimentos.
Inefável, porém tão presente, eu sou a arma,
Que contra mim covardemente você vira.

O acaso se projeta sobre as almas
Metamorfoseando sua existência em drama.
Sem perguntas, sem razões
Sem porquês, apenas esse peso,
Essa imobilidade atravessada por nenhum som
Nem pelo eco de nenhuma voz.
Apenas esse olhar de ciclope, imóvel
Constantemente fixado na minha carcaça tão frágil.

Você me segue, mas não por amor;
Descrevendo círculos como os abutres.
Pesados e lentos vacilações sem cintilações
Sufocando a mente outrora valente tão miseravelmente;
Apertando minha garganta com suas garras afiadas
E arranhando meu fôlego com sua mordida gelada.

Apesar da sua malícia, somos íntimos.
Compartilhamos os detalhes mais ínfimos;
Você parece me conhecer melhor do que qualquer um
E eu pressinto cada uma das suas intervenções em mim.

Você não me ama, e ainda assim me define;
Agora a você eu me autentico.
Nunca mais estaremos separados
Pois seu ódio, que eu pude saborear, me contaminou.

Sentimentos novos me invadem;
Por mais profundos que venham, eu os sinto me amaldiçoando.
Meu olho se tinge de vermelho e o sangue se espalha
Sobre este mundo que me cerca e sobre seus habitantes.
Daí em diante, uma nova sede me obsessa:
A de vingar minha vida que se apaga,
Arrancada de seu caminho por essa desconhecida
Que ninguém quer mencionar a chegada.

E ainda assim, aqui está ela em mim,
Aqui está ela se tornando eu,
Desviando meu sangue, se imiscuindo no meu tempo
Espalhando em meu seio seu fogo ardente.
Mas aqui está que já minha carne se inflama
Incentivada pela minha êxtase vingativa
Transformando então meu corpo
Em fornecedor de morte,
De possuído a des-possuidor
Em um último sobressalto de fúria.