D'Élégance et de Déréliction
Tournant le dos à ces sinistres façons
Je laissai mes pas m'emporter au loin des hameçons
Qui les retenaient, lorsque soudain mon attention se vit distraire
Par les complaintes désespérées de mes soi-disant frères.
Voilà vos toits réduits en fumée...
Dès lors que la raison couchante se trouve lynchée
L'inexistante et acide salive de votre père bâtisseur
Vient de dissoudre votre arche et vos malheurs,
Car vous ôter la vie et sa souffrance
Équivaut à contempler l'indifférence,
Tant votre être se minimise sous le regard hagard,
Au point de se fondre dans la nuit noire.
Que faire lorsque son berger gît agonisant, éventré
Aux pieds du loup se délectant du tant attendu moment
Et dont la soyeuse robe blonde et argentée ainsi que les babines retroussées
Étaient tachées du sang du mourant.
Car par la violence fulgurante du décret qui fût,
Tous les dieux se trouvèrent morts
Plus subitement encore que je ne le sus.
Et ainsi s'évaporèrent tous les trésors.
Rien ne pouvait subsister
Car rien n'était ;
Même les lamentations des sinistrés
Tour à tour s'évaporaient.
Frappée par la déréliction,
Se tordant sous la déraison
Brutalement enfouie dans son non-être
Et dans son apparaître,
La pauvre vermine s'affaiblit
Et se languit de son ancien paradis
Victime des flammes de celle que l'on croyait inexistante
Mais qui est en réalité plus que présente
Nous sommes seuls contre le Rien
Car lorsque celui qui se prétend exister disparaît dans le néant,
Ce dernier demeure, et devient en vérité toujours encore plus grand
Car aussi longtemps qu'il a été, il sera
Et jusqu'au dernier, tous, il nous dévorera
Je suis seul contre le Rien
Je ne suis rien.
Rien...
Drapé dans un silence serti de diamants humains,
Noué dernière mon cou, il me seyait fort bien.
Surplombant l'élégance du rienisme que j'avais pour seul témoin,
Je me mirais et m'admirais dans ce noir miroir qu'était le rien.
Brillant enfin des feux qui jusqu'alors avait été contraint
De demeurer encore et encore en mes intestins,
Ne trouvant avec le temps plus d'espace pour se nourrir,
Le sort leur avait alors ordonné de mourir,
Éteignant hélas le reflet spéculaire
Qui reluisait en mon regard d'ordinaire.
Mais maintenant que le monde va en s'annihilant
Les flammes réapparurent sauvagement.
De Elegância e de Desolação
Virando as costas para essas maneiras sinistras
Deixei meus passos me levarem longe dos anzóis
Que os prendiam, quando de repente minha atenção se distraiu
Pelas queixas desesperadas dos meus chamados irmãos.
Aqui estão seus telhados reduzidos a fumaça...
Desde que a razão em queda foi linchada
A saliva inexistente e ácida do seu pai construtor
Dissolveu sua arca e seus infortúnios,
Pois tirar a vida e seu sofrimento
Equivale a contemplar a indiferença,
Tanto seu ser se minimiza sob o olhar atônito,
A ponto de se fundir na noite escura.
O que fazer quando seu pastor jaz agonizando, esventrado
Aos pés do lobo se deliciando com o tão esperado momento
E cuja pelagem sedosa e prateada, assim como os lábios retorcidos
Estavam manchados com o sangue do moribundo.
Pois pela violência fulminante do decreto que foi,
Todos os deuses se encontraram mortos
Mais repentinamente do que eu soube.
E assim se evaporaram todos os tesouros.
Nada podia subsistir
Pois nada existia;
Até mesmo os lamentos dos desabrigados
Se evaporavam um a um.
Atingida pela desolação,
Contorcendo-se sob a irracionalidade
Brutalmente enterrada em seu não-ser
E em seu aparecer,
A pobre criatura se enfraquece
E anseia por seu antigo paraíso
Vítima das chamas daquela que se acreditava inexistente
Mas que na verdade está mais presente do que nunca.
Estamos sozinhos contra o Nada.
Pois quando aquele que se diz existir desaparece no vazio,
Este último permanece, e se torna na verdade sempre maior
Pois enquanto ele foi, ele será
E até o último, todos, ele nos devorará.
Estou sozinho contra o Nada.
Eu não sou nada.
Nada...
Envolto em um silêncio cravejado de diamantes humanos,
Amarrado atrás do meu pescoço, me caía muito bem.
Sobrepondo-se à elegância do nadaísmo que eu tinha como único testemunha,
Eu me olhava e me admirava nesse espelho negro que era o nada.
Brilhando finalmente com os fogos que até então foram forçados
A permanecer cada vez mais em meus intestinos,
Não encontrando com o tempo mais espaço para se alimentar,
O destino então ordenou que morressem,
Extinguindo, infelizmente, o reflexo especular
Que reluzia em meu olhar habitual.
Mas agora que o mundo vai se aniquilando
As chamas reapareceram selvagemente.