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2006 - Malandragem, Adeus: Com Exceção do Zé o Resto é Mané

Unidos de Villa Rica de Copacabana

Letra

    SAMBAS-ENREDO ANTIGOS

    1991
    Enredo: Três raças e eterna coroa de momo
    Compositores: Antônio da Conceição[Pelé], Carlinhos Melodia e Cacau

    Exaltamos as três raças
    Que formam o elo
    Da nossa nação
    O negro, o branco, o índio
    Responsáveis pela miscigenação
    Quando os lusitanos aqui chegaram
    Da aventura veio a sedução

    Tem gemido na senzala
    Tem afoxé ô (bis)
    Jongo capoeira e candomblé

    Mais tarde
    Surgiu o Zé Pereira
    A tradição do carnaval
    A maior festa audiovisual
    Vem vem
    Venha comigo amor
    Hoje tem festa
    Tem coroação
    Rei momo vai ser coroado
    O Vila Rica é o anfitrião

    Batam palmas pessoal
    Brindem com taças (bis)
    Pro bem espantar o mal

    1993
    Enredo: Quem não arrisca não petisca, façam o jogo
    Compositores: César Nascimento, Jorge Luiz e João da Silva

    Quem não arrisca não petisca
    Quem avisa amigo é
    Lançada a sorte
    Villa Rica vem com fé

    É no jogo que eu vou
    Me entregar pra emoção (bis)
    Sonhos e fantasias
    Mergulhar na ilusão

    Com os bichos me encantei
    No carteado sou rei
    A sinuca me fascina
    No teço-teco, bafo-bafo me criei

    Vem amor
    Vem comigo jogar (bis)
    No jogo da vida
    Quero ser teu par

    E na esperança lá vou eu
    O meu destino é caminhar
    Loto, sena ou raspadinha
    Quem dera eu, um dia acertar
    Me tornar um marajá
    Não precisar mais trabalhar
    Que vida boa
    Tô curtindo de montão
    O sorteio na televisão

    Hoje a Villa faz o jogo
    Este enredo genial (bis)
    Roda roleta neste carnaval

    E traz riquezas e progresso pro país
    E o meu povo fica mais feliz

    1994
    Enredo: Copacabana, meu amor
    Compositores: Carlinhos Melodia e Antônio da Conceição

    Sim, sou eu
    Colírio pros olhos do mundo
    Sei que sou
    Vitrine pra tudo e assumo
    Meu verde é de esperança
    Meu céu beija meu mar
    Meu sol que irradia
    Um sorriso em cada olhar
    Dos becos à lembrança
    A vontade de voltar
    Sou princesinha do mar
    Domingo de sol, do calçadão
    Que paisagem
    Repleta minha areia
    Saudades da própria saudade
    E como esquecer do Bon Marchê
    Dos dezoito maestrais
    Do cassino, do teatro de revista
    Dos artistas imortais

    Oi Dendeca Faceira
    Que vai pra lá, vem pra cá (bis)
    Que faz da noite seu dia
    Neste seu balançar

    O sonho também é realidade
    Eu não tenho apartheid
    O luxo, o lixo, o bem e o mal
    De tudo tenho um pouco
    Em minha essência
    Poesia, dança e crença
    Conferência mundial

    Odoiê, odoiê, odoiá (bis)
    Rosas brancas pra Iemanjá

    1995
    Enredo: Deu pano pra manga
    Compositores: Carlinhos Melodia, Antônio da Conceição e Nego Wando

    Tecendo nas malhas do tempo
    Entrelaçando folhas e fibras vegetais
    Vem do homem primitivo
    O tecido rudimentar
    A arte que encantou a nossa terra
    As telas retratando o além-mar
    Que me dera, amor
    Te vestir na cor
    Do país da cerejeira em flor

    Negro plantou, colheu, teceu (bis)
    Pintou, bordou na fazenda do senhor

    Hoje vejo minha Villa Rica
    Deslumbrando na avenida
    Num banho de beleza e cor
    No bailar dos ventos
    Mostra o nosso tempo
    O jeans modernizou ôôô

    Na teia da aranha eu tô
    Na lã que dá calor (bis)
    No linho ou na seda, amor
    Você fica linda como uma flor

    1996
    Enredo: A Lavagem do Bonfim
    Compositores: Gilmar L. Silva, Mauro Gaguinho e Vandro

    Bahia, terra de todos os santos
    Magia de encantos
    É bênção de pai Oxalá
    Voa pomba da paz
    Onde o rei dos orixás
    Se irradia
    E segue a Romaria
    Com o toque do ajarim
    Baianas e águas claras
    Pra lavagem do Bonfim

    São águas de Oxalá
    Echeuêbaba (babá) (bis)
    Na fonte que eu fui buscar

    Tem festa no terreiro e na igreja
    Sinto misticismo pelo ar
    Senhor do Bonfim que nos proteja
    Rosas brancas quero ofertar
    Decantar vestido de azul e ouro
    Bahia é quem guarda o tesouro
    Mistério que veio lá do além-mar

    O meu canto encanta
    A quem tem fé
    Axé, meu Senhor do Bonfim, axé
    O meu canto encanta
    A quem tem fé
    É canto na lira do candomblé

    1997
    Enredo: Cores D'África
    Compositores: ???

    Amor
    O arco-íris coloriu a passarela
    E nesta tela de sedução
    Brilha um continente tão bonito
    De Angola ao Egito
    Na minha canção
    Oh, mãe África
    Sou negro sim, sou de zoeira
    Quero agitar sua bandeira
    É canto, é dança
    A cultura que veio de lá
    Sou iaiá de ioiô
    Sou ioiô de iaiá
    De corpo e alma eu tô aí de novo
    Pois o meu povo quer me ver passar
    Linda, colorida e tão singela
    A negritude me fascina
    A moda domina
    Sou parte dessa arte mundial
    Nesse movimento social
    Ô gira roda, pretinha, mulata, morena
    Ginga com a tua beleza
    Exaltando a raça
    Sou Villa Rica
    convocando a massa

    1998
    Enredo: Ferrogun
    Compositores: Gilmar L.Silva, Vicente das Neves e Celsinho Silva

    Batam forte os atabaques nesta festa
    Para saudar o ferreiro do céu
    Salve Ogum que venceu a batalha
    Vestido de búzio e palha, proteja meu caminhar
    Na criação do mundo
    Fez a viagem com Odudua e Obatalá

    Ogum onirê (onirê)
    O abedé orum (bis)
    Neste meu canto de fé guerreia
    É teu axé que clareia

    (Hoje tem Villa)
    A Villa toda Rica e tão formosa
    Vem na força deste orixá
    Pro guardião da massa
    Traz oferendas pra lhe ofertar
    No brilho da sua espada
    Rege a magia dos metais
    Na luta do dia-a-dia
    Sua energia me dá força e paz

    Lebaraô exu
    Não tem demanda (bis)
    Sou "Ferrogum"

    Lá na mata tem minério
    E tem dendê (bis)
    Salve todos os orixás
    A benção ogum megê

    1999
    Enredo: Sargentelli, lenda viva do Ziriguidum
    Compositores: Mauro Gaguinho, Manoelzinho Poeta e Lelo de Cordovil

    Um dia no berço da boemia
    Ele nasceu
    Sonhava algum dia ser cantor
    Ary Barroso lhe deu força e valor
    Em sua linda trajetória
    De glórias e amores
    O seu destino traçou
    Fez do menino
    Um grande apresentador

    No embalo da folia, sei que sou mais um (bis)
    Sargentelli, lenda viva do Ziriguidum

    Assim, no rádio se realizou ô ô
    Com personagens que marcaram
    A nossa MPB
    Do seu tio Lamartine era fã
    Botafoguense, portelense por amor
    "Iemanjá", sua mãe santa vem abençoar
    O carnaval do meu Brasil
    A Villa Rica traz encantos mil

    Ôba-ôba, meu povo
    No requebrado da mulata (bis)
    Cai na ginga do boêmio
    Que é filho da Lapa

    2000
    Enredo: Coração de três raças
    Compositores: Carlinhos Melodia, Antônio da Conceição, Marciano e Serginho Raiz

    Já fui pros deuses morada
    Sou abençoada pelo criador
    Sou coração de três raças
    Sou berço e pousada sou acolhedor
    Sou filho do sol com a lua
    Fui ilha, sou terra, pulmão para o mundo
    Mancebos guerreiros, guardiões de verdade
    Minhas florestas sentem saudades
    O tempo que tudo consome
    Sem ter consciência ira destruir
    As belezas deste pais menino
    Que o negro sofrido ajudou construir
    Rufam os tambores, vou festejar
    A tarde separa o dia
    Que a noite vai encontrar
    No sorriso da criança tem amor
    A semente é esperança, só quem plantou
    Igualdade e saber, viu futuro
    Florescer de prosperidade

    2001
    Enredo: Da Vila Olímpica à Villa Rica, Chiquinho da Mangueira, um exemplo de vida
    Compositores: Waguinho do Cavaco, Alexandre Sena e Élson Pinheiro

    Hoje eu venho exaltar
    Essa figura tão querida
    Foi lá em Vila Isabel
    Que começou a sua vida
    Se misturava com os bambas
    A verde e rosa
    O seu verdadeiro amor
    Conhecendo Tia Alice
    Um projeto social iniciou

    Pelas crianças, então, ele lutou
    Com humildade ele foi um sonhador (bis)
    E promovendo os esportes, fez feliz
    Jovens que orgulham este país

    Assim toda a comunidade
    Agradece de verdade
    Pelo bem que praticou
    A Inglaterra, seu trabalho aplaudiu
    Pro mundo projetou nosso Brasil
    Até Bill Clinton se emocionou
    Francisco de Carvalho, és um vencedor

    Da Vila Olímpica a Villa Rica
    Chiquinho da Mangueira (bis)
    É um exemplo de vida
    Pra essa cidade inteira

    2002
    Enredo: Sou Rio, Sou Grande, Sou Villa Rica do Norte
    Compositores: Neguzinho, Marciano, J.Vieira e Zezé Fonseca

    Paraíso no Nordeste
    Do bravo guerreiro cariri
    Rio Grande do Norte
    A Villa Rica é carnaval e vem mostrar
    A terra dos sonhos, cobiça além-mar
    Forte Reis Magos, uma estrela
    Marco inicial gerou Natal
    Mossoró de relíquias, riquezas minerais
    Deu ao negro liberdade, um canto de paz
    Literato do folclore nacional
    Câmara Cascudo é imortal

    Potiguar olhos de mar da miscigenação
    Forró é seu pecado, São João é tradição (bis)
    O sanfoneiro não pode parar
    O bate coxa vai até o sol raiar

    Parnamirim, base aérea espacial
    Trampolim da vitória na Segunda Guerra Mundial
    E o gringo chegou, fez forall e dançou ô ô
    Partiu num bye bye, deixando costumes
    Amores e sementes para trás
    Praias tão lindas, Genipabu e o famoso cajueiro
    Sal, algodão, carnaúba e caju, dão o ano inteiro
    Tempero bom, culinária tradicional
    Rendas, bordados, mercado do sisal
    O cabra macho orgulhoso diz
    Meu Rio Grande, o futuro é aqui (vem amor)

    Vem amor, ver o sol tingindo céu e mar (bis)
    Coqueirais, salineiras, caiçaras navegar

    2003
    Enredo: Do Trigo da Terra... Arte do Pão
    Compositores: Negozinho, J. Vieira e Robinho do Cavaco

    A Villa Rica seu enredo vem mostrar
    Da terra o trigo
    O pão é arte secular
    Desde a pré-historia
    Hoje predomina no comercio popular
    Veio do Egito com leveza saborosa
    Para os gregos e romanos
    Na Europa propagar
    Com toque feminino
    Ofertavam aos seus deuses
    Para lhes glorificar

    Os latinos até hoje
    Mantém a tradição (bis)
    Em suas cerimônias
    Não pode faltar o pão

    Tornou-se obra de arte
    Emoldurado suvenir para os casais
    Quinhão na Roma antiga
    Na Idade Média, seu costume perdurou
    Ganhou castelo, projetou=se em Paris
    Um brioche não dispenso
    Um pão francês, eu peço bis
    Seja suíço, pão de queijo ou decorado
    Que não falte em nossa mesa
    Este pão abençoado

    O famoso Pão de Açúcar
    Que seduz o mundo inteiro (bis)
    Tá na vitrine
    Do meu Rio de Janeiro

    2004
    Enredo: Odoiá... A poderosa força das águas, o símbolo gerador da vida
    Compositores: Pato Roco, Edinho, Luiz Pião, Xandão e Júnior

    O mar é poderoso e soberano
    Que maravilha, o berço de odoiá
    A água é o símbolo que gera a vida
    A Villa Rica a sua força vai mostrar
    O incesto se fez
    E este sangue virou rio, virou mar
    Canta avenida em homenagem
    A mamãe Iemanjá

    Iemanjá, ô Iemanjá
    Hoje a festa é toda sua
    Na sua força, tenho fé (bis)
    Sou Villa Rica estou de pé
    E meu samba continua

    Nasceu da terra a vegetação
    E o ar foi dando forma aos orixás
    Sereia vou pro mar, ouço seu canto
    Janaína estou de branco
    Para o mundo eu peço paz
    No seu mar jogo oferendas
    Acredite nessa lenda
    Proteção ao pescador
    No meu Rio, eu faço a festa
    Copacabana, reveillón se consagrou

    Quero água pra beber (beber, beber)
    Nas águas vou me banhar (bis)
    Neste mar, eu tiro onda
    Deixo a onda me levar

    2005
    Enredo: Em sua Viagem Ambiental, Villa Rica Recicla o Carnaval
    Compositores: Oswaldo, Moises, Pedrinho Só, e Tomé Boca Mole

    Hoje a Villa Rica está em festa
    Na passarela vamos preservar
    Na natureza, nada se perde, nada se cria
    Tudo se transforma em arte
    E eu vou cantando em poesia
    O bicho homem com a sua ambição
    Destruindo o planeta com a devastação

    Em nossa cidade, eu vou (bis)
    Com muito samba no pé, amor

    Oh Mãe Natureza, como é triste falar em você
    Sua fauna está sofrendo
    Seres estão morrendo
    Com a poluição
    Mas sua beleza é infinita
    Essa terra tão bonita
    Estão pouco se lixando pra preservação

    É lixo pra lá, é lixo pra cá
    Ninguém se lixa, é só lixar (bis)
    E numa viagem ambiental
    A Villa Rica faz seu carnaval

    2006
    Enredo: Malandragem, Adeus: Com Exceção do Zé o Resto é Mané
    Compositores: Pato Roco, Marinho Vaidade, Benson e Luiz Pião

    A Villa Rica faz o retrato falado
    Da malandragem dos primórdios carnavais
    Malandro que é malandro não vacila
    E quando briga, olha, tem mulher por trás
    As maltas têm guerreiros, capoeiras imortais
    Na luta não morreu, se transformou
    No Rio de Janeiro, a Lapa é reduto de bambas
    A boemia vai até o sol raiar
    E se não for malandro, dança
    Na morada dos anjos, a invocação
    Preservar a malandragem é a salvação

    Zé, faça tudo que quiser
    Só não maltrate (bis)
    O coração dessa mulher

    Olha o breque, Morengueira
    Vem, levanta meu astral (bis)
    Villa Rica traz malandros
    Pra brincar o carnaval

    Saudações àqueles que partiram
    Deixando aqui na terra, a cultura
    Pintor, escritor, compositor
    O que fizeram sempre foi com muito amor
    Uma pequena notável com Zé Carioca
    Ao mundo encantou
    Chora, a boemia toda chora
    Saudades de você vamos sentir

    Quem é malandro é, é seu Zé
    Dou adeus à malandragem (bis)
    Que o resto é mané

    2007
    Enredo: Carukango
    Autores: Leonardo Trinta, Everton Cesar, Ricardinho e Leo Torres

    Sobre um mar de sofrimento
    Villa Rica navegou
    Com seu grito de lamento
    Negro se eternizou
    Liberdade, uma estrela a brilhar
    Esse líder feiticeiro
    Não se deixou escravizar
    Lá na Serra do Deitado, com seu legado
    O quilombo se formou
    Há de ser sempre lembrado
    Pelo exemplo que deixou

    E lutando, Carukango
    Liderou sua nação (bis)
    Almejando a liberdade
    Com bravura e emoção

    Na batalha, entregou a própria vida
    Os quilombolas ressuscitam na avenida
    Têm na cor um grande orgulho
    A negritude é a razão maior
    Seu sangue derramou e Iansã soprou
    Vai Carukango, envolvido em nosso manto
    Pros braços de Iemanjá
    Nas suas águas, com as bênçãos de Oxalá
    Um braço forte retornando para o lar

    Oh, Mãe África
    Venho aqui te exaltar (bis)
    Em memória dos seus filhos
    Salve nosso orixá


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