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A Canção do Não

UTO

The No Song

Not near the mountains
Nor near the sea, the country
Not near childhood
Not near what I know, what I don’t
Not, not, not

Not into nothing
In something
Not in words
Not in woods
Nor in a jungle

Not in fantasy
Not nowhere
Not on my own
Not on this page
Not with this ink

Far from you
Far from fucking
Far from the language, after the fuck

No rhythm
Not images
No parody of the “no”
Of the knot
No track of it
No track for it
No city
Not, not, not

No punks
No anarchy
No engagement
Not in couple
Not in fusion

Not separated
Not in the body
Not in the dichotomy
Not in tune
Not in the mood
I'm in a loop
Not, not, not

Not on the verge of
Not a virgin
Not working
Not making others work
No sense

No fear
Not true
No goal
No grip
No get away
Get up!

No purpose, “I’d rather not to”
No peace, no power
Fools: No kisses, no touch
No fight, no food
Some friend, some fate

No faces
No traces
In the garden
No fruit
No danger

Some mess, no prophet
Not even hairs on legs
No valleys
Through the window no view
No train
No song

A Canção do Não

Não perto das montanhas
Nem perto do mar, do campo
Não perto da infância
Não perto do que eu sei, do que eu não sei
Não, não, não

Não em nada
Em algo
Não em palavras
Não em bosques
Nem em uma selva

Não em fantasia
Não em lugar nenhum
Não por conta própria
Não nesta página
Não com esta tinta

Longe de você
Longe de maldito
Longe da linguagem, depois do maldito

Sem ritmo
Sem imagens
Sem paródia do “não”
Do nó
Sem rastro disso
Sem trilha para isso
Sem cidade
Não, não, não

Sem punks
Sem anarquia
Sem compromisso
Não em casal
Não em fusão

Não separado
Não no corpo
Não na dicotomia
Não em sintonia
Não no clima
Estou em um loop
Não, não, não

Não à beira de
Não uma virgem
Não trabalhando
Não fazendo os outros trabalharem
Sem sentido

Sem medo
Não verdadeiro
Sem objetivo
Sem firmeza
Sem escapar
Levante-se!

Sem propósito, “Eu prefiro não”
Sem paz, sem poder
Tolos: Sem beijos, sem toque
Sem luta, sem comida
Algum amigo, algum destino

Sem rostos
Sem vestígios
No jardim
Sem frutas
Sem perigo

Alguma bagunça, nenhum profeta
Nem mesmo pelos nas pernas
Sem vales
Pela janela, sem vista
Sem trem
Sem canção