
Cavalo Difício de Domar
Valdiner Pereira
Ele veio das colinas de Lubango
Com poeira nas botas e o destino na mão
Ela era a flor do porto de Luanda
Filha de um sargento, lei daquela região
Se amavam onde o rio encontra o mar
Lá nas areias brancas do Mussulo
Mas o fumo da guerra começou a soprar
E o céu do Oeste ficou escuro
O velho sargento disse: Esqueça esse rapaz
Pra não ver o seu fim em um campo de paz
Mas o amor é um cavalo difícil de domar
E o segredo cresceu quando o ventre começou a inchar
Oh, Angola, terra de sol e de dor
Onde a pólvora tenta apagar o amor
Ele partiu pro combate e nunca mais voltou
Mas na beira do mar, uma vida brotou
Sobre o olhar de Deus e o azul do Mussulo
Nasceu o herdeiro de um novo mundo
O jovem cowboy se perdeu na fumaça
Caiu como tantos, sem nome ou lugar
A dor foi o preço da nossa desgraça
Mas o choro do filho veio pra curar
Não tem coroa, nem ouro, nem trono
Mas tem o sangue de quem não se rendeu
A guerra é um rastro de abandono
Mas a esperança é o que o destino escreveu
Dorme, menino, sob o sol do deserto
Seu pai está longe, mas seu reino é perto
Nessa terra linda que ele tanto amou
Você é a semente que o vento plantou
Oh, Angola, terra de sol e de dor
Onde a pólvora tenta apagar o amor
Ele partiu pro combate e nunca mais voltou
Mas na beira do mar, uma vida brotou
Quem sabe um dia, desse solo de lei
Esse menino ainda possa ser rei
Sim, ele vai ser rei
Dessa terra de Angola
Que o seu pai amava



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