
O Café Tá Com Gossto De Ontem
Valdiner Pereira
Acordo quando o vira-lata começa a andar pra lá e pra cá
O chinelo bate no chão frio da cozinha
O café tá com gosto de ontem, bebo mesmo assim, vamo que vamo
Tem graxa debaixo da unha, nem lembro de onde veio
Deve ter sido mexendo na caminhonete, nem pedi pra ir junto, mas a vida é assim
Minha coroa fala pra eu ir mais devagar, digo a ela que tô ligado
Aí a S-10 dá um tranco e esse pensamento some da minha cabeça
A porta da caminhonete emperra às vezes
A rádio toca o que quer, modão sertanejo sem parar
Se encontra uma música que gosta, a gente escuta a semana inteira
Caceio mais do que preciso, atiro menos do que falo, erro mais do que conto
Mas ainda trago a caça pra casa na maioria dos dias
As gata dizem que sou difícil de decifrar, digo a elas que nem tento
Elas riem como se eu estivesse fugindo da verdade, eu só deixo a vida me levar
Falo alto quando dirijo, como se a estrada pudesse ouvir
Corro atrás das minas como corro atrás do sol, nem muito forte, nem muito rápido
Se elas vazam, dou um tchau, se ficam, nem pergunto
Meu primo jura que um dia eu mudo, digo a ele que talvez, talvez não
Então abro uma gelada estralando e deixo o amanhã fazer o que tiver que fazer



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