
O Povo Avisa Pra Eu Ter Cuidado
Valdiner Pereira
Se tu fosses folheto de cordel, eu lia
Nas feiras de fumo sob o Sol de rachar
Se fosses bendito de romaria, eu cantava
Até a garganta doer e secar
Se fosses terra de chão rachado
Eu seria a enxurrada pra te alagar
Se fosses o erro do mestre divino
Eu erraria o caminho só pra te encontrar
Tu não estás à venda no mercado de estopa
Nem te perdes nas brenhas da caatinga escura
Pois quem tem teus olhos como remédio
Não teme a peste, a fome ou a amargura
Tu és o movimento que espanta o tédio
Desse meu silêncio de sepultura
Mas tu és o gole da cana braba!
A jurema sagrada que o povo rejeita!
Aquela bebida que o homem evita
Porque sabe que a alma fica sujeita
Um gole só e a mente padece
Um gole só e o corpo vicia!
Cura a dor da existência inteira
E condena o cabra pro resto dos dias!
O teu olhar tem o peso do destino
É mandinga, é feitiço de rezadeira
O povo avisa pra eu ter cuidado
Que essa paixão é rastro de poeira
Mas se o acerto for viver sem teu rastro
Eu prefiro a sina da vida inteira
Mas tu és o gole da cana braba!
A jurema sagrada que o povo rejeita!
Aquela bebida que o homem evita
Porque sabe que a alma fica sujeita
Um gole só e a mente padece
Um gole só e o corpo vicia!
Cura a dor da existência inteira
E condena o cabra pro resto dos dias!
Vicia, cura e condena
No meio do canavial
Teus olhos são o meu remédio
E o meu mal final



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