
O Velhão
Valdiner Pereira
Setenta e sete anos pesando no chão
Asma no peito, falha o coração
Varizes são trilhas de uma vida gasta
E a pressão alta que o corpo arrasta
Vinha da pastelaria, o pecado era o queijo
Cinco de um, quatro de carne, o meu único desejo
Duas Cocas pra dentro, o Ruffles na mão
Entrei na farmácia pra ver a medição
O aço gritou, a mola cedeu
Debaixo do Velhão, a balança morreu
O moleque gravou, o mundo assistiu
Velhão Quebra-Tudo no YouTube subiu
Ao som de um funk, a cena repete
O peso da queda que ninguém esquece
Virei o colosso que o país assombra
Derrubo o Alvorada, o Cristo vira sombra
Quebrei a ponte, virei pesadelo
Até o barbeiro não cobrou meu cabelo
Filhos e netos, vizinhos de lado
Rindo da glória de um homem pesado
Aplausos na rua, gritos de Viva!
A fama é uma estrada que humilha e cultiva
(Ponte, Violão fica mais grave e lento)
Fui até o Seu Osório, o dono do lugar
Paguei o prejuízo pra alma descansar
Saí com amendoim, o moleque filmou
Velhão Paga-Tudo, a lenda mudou
Agora é um pagode, um ritmo estranho
Eu pago os mestres, eu pago o rebanho
Aposentadoria de quem já cansou
A dívida externa o Velhão liquidou
Famoso na queda, famoso no trato
O mundo me olha num vídeo barato
Quebrei o sagrado, paguei o que é devido
O Velhão está vivo, e nunca esquecido
O Velhão quebra
O Velhão paga
A balança se foi, mas a fama se espalha



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