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Os Marinheiros do Amanhã

Anne Vanderlove

Les marins du petit jour

Dans le ciel, par-dessus la ville,
Un clown tout gris, un clown tout blanc,
Par-dessus les toits de la ville
Dansent sur les hautbois du vent,
Les cheminées en file indienne
Et foulards de soie les escortent,
Vêtues de gris, vêtues d'antennes,
D'oiseaux-lyres et de harpes mortes.

Dansent les clowns, tournent, tournoient
Dans l'eau d'une aube d'aubépine,
Dans le ciel, par-dessus les toits
Montent les fumées des usines;
Blanches et grises, elles font
Et défont leurs fleurs incertaines,
C'est l'heure où monte la chanson
Des mélancoliques sirènes.

Et comme les marins d'Ulysse,
Tous les marins du petit jour
En entendant la chanson triste
Vont se naufrager sans retour,
Marins de l'aube, marins des rues,
A la voix triste des sirènes,
Dans la rumeur, dans la cohue,
Ils se naufragent par centaines.

Dans le ciel, par-dessus la ville,
S'installe le grand chapiteau,
Dansent les pantins malhabiles,
Les Arlequins et les Pierrots,
Et des carillons pleins d'oiseaux
Jettent la gamme des couleurs,
Tous les clochers, tous les échos
Egrènent les coups de sept heures.

On dirait qu'ils tordent leurs mains,
Mes clowns rêvés, imaginaires,
Il est sept heures du matin,
Le jour commence à les défaire,
Puis il ne me reste plus rien,
Rien qu'une traînée de brouillard,
Il est sept heures du matin
Dans une ville, quelque part...

Os Marinheiros do Amanhã

No céu, acima da cidade,
Um palhaço todo cinza, um palhaço todo branco,
Acima dos telhados da cidade
Dançam ao som do vento,
As chaminés em fila indiana
E lenços de seda os acompanham,
Vestidos de cinza, com antenas,
De pássaros-lira e harpas mortas.

Dançam os palhaços, giram, rodopiam
Na água de uma aurora de espinheiro,
No céu, acima dos telhados
Sobem as fumaças das fábricas;
Brancas e cinzas, elas fazem
E desfazem suas flores incertas,
É a hora em que sobe a canção
Das sirenes melancólicas.

E como os marinheiros de Ulisses,
Todos os marinheiros do amanhecer
Ao ouvirem a canção triste
Vão se naufragar sem volta,
Marinheiros da aurora, marinheiros das ruas,
À voz triste das sirenes,
Na confusão, na agitação,
Eles se naufragam aos montes.

No céu, acima da cidade,
Se instala o grande picadeiro,
Dançam os fantoches desajeitados,
Os Arlequins e os Pierrots,
E os sinos cheios de pássaros
Soltam a escala das cores,
Todos os campanários, todos os ecos
Repetem os toques das sete horas.

Parece que eles torcem suas mãos,
Meus palhaços sonhados, imaginários,
São sete horas da manhã,
O dia começa a desfazê-los,
Então não me resta mais nada,
Nada além de uma trilha de neblina,
São sete horas da manhã
Em uma cidade, em algum lugar...