395px

Todos aqueles que não conseguiram

Anne Vanderlove

Tous ceux qui n'ont pas réussi

Tous ceux qui n'ont pas réussi leur vie, saison après saison,
Ils se survivent et dérivent entre deux rives, entre deux bords,
Entre deux eaux, entre deux ports
Où jamais ils n'accosteront

Leurs rêves les suivent de loin ou les précèdent quelquefois,
Comme les enfants des forains et comme eux, d'errance en errance
Et de rencontre en espérance,
Au bout de la route, ils se noient

Tous ceux qui n'ont pas rencontré le moindre tout petit amour,
Histoire de se réchauffer un coeur plus gelé que l'hiver,
Brûlent leurs vaisseaux sur la mer
Et prennent la nuit pour le jour

Tous ces voyageurs solitaires, sans racines d'aucune sorte,
N'ont d'autre lueur familière que celle qui brûle aux fenêtres
De quelque étranger qui, peut-être,
Pour un soir entrouvre sa porte

Tous ceux qui traînent à l'envers une enfance à jamais perdue
Donnent parfois le change et, l'air heureux, disent à tous les vents
Que le bonheur, c'est leur argent,
Eux-mêmes ne le savent plus

Ceux qui n'ont pas aimé leur vie mais pleurent pour une chanson,
Ils se survivent et dérivent entre deux rives, entre deux bords,
Entre deux eaux, entre deux ports
Où jamais ils n'accosteront.

Todos aqueles que não conseguiram

Todos aqueles que não conseguiram viver, estação após estação,
Eles se sobrevivem e flutuam entre duas margens, entre dois lados,
Entre duas águas, entre dois portos
Onde nunca vão atracar.

Seus sonhos os seguem de longe ou às vezes os precedem,
Como as crianças de feirantes e como elas, de errância em errância
E de encontro em esperança,
No fim da estrada, eles se afogam.

Todos aqueles que não encontraram o menor amorzinho,
Só pra aquecer um coração mais gelado que o inverno,
Queimam seus barcos no mar
E tomam a noite por dia.

Todos esses viajantes solitários, sem raízes de nenhum tipo,
Não têm outra luz familiar além daquela que brilha nas janelas
De algum estranho que, talvez,
Por uma noite, entreabre sua porta.

Todos aqueles que arrastam para trás uma infância eternamente perdida
Às vezes disfarçam e, com cara de felizes, dizem a todos os ventos
Que a felicidade é seu dinheiro,
Eles mesmos já não sabem mais.

Aqueles que não amaram sua vida mas choram por uma canção,
Eles se sobrevivem e flutuam entre duas margens, entre dois lados,
Entre duas águas, entre dois portos
Onde nunca vão atracar.