Dezembro em Paris
Praça da Concórdia
Num doce desordem
Dezembro chegou
Eu andava sem medo
Cantando minha dor
De areia e de passos
Nos Jardins das Tulherias
Eu encontrava minha vida
Que não me esperava
Ela parecia surpresa
Eu fiz de conta que
Não a via
Nenhum barquinho
Navegava na água
Do pequeno lago
Onde meu olhar de criança
Ficava na primavera
Suas alegrias de jardim
Nenhuma velha sentada
E nenhuma surpresa
Na hora do lanche
Nem velho barbudo
Nem grande corcunda
Nem cabelo crespo
Na Ponte das Artes
Vercors na memória
A guerra estava lá
Eu revi a Drôme
Eu revi a Saône
Robert como soldado
Ao longo do Sena
Eu tive dificuldade
Em me lembrar
Meus primeiros amores
E o grande desvio
Que é o gosto de ler
Nas bancas de livros
Eu procurava as pistas
Dos nossos primeiros passos
Eu encontrei Corbière,
Cros, na sua cama
De papel de seda
Eu revi sua franja
Esse sorriso estranho
Que me traz alegria
E esperei
A felicidade teimosa
De voltar pra casa
De voltar pra sua casa
Entre nossos dois braços