La maison de l'Haÿ
La maison de banlieue sentait le clafoutis aux pommes du marché
Au marché de l'Haÿ, j'aimais les maraîchères et moins les maraîchers
Stoppant tous les dix pas pour embrasser les vieilles connues et penchées
Au marché de l'Haÿ, j'étais la fiancée, soi-disant, du boucher
Mais j'aimais pas l' boucher, il était plein de sang. Il me faisait peur
J'y allais pour sa femme. Elle était tellement belle et toute en rondeurs
Perchée sur le comptoir, elle se penchait vers moi qui lui tendais mon cœur
Et riait doucement d'entendre son mari qui se lançait des fleurs,
Comme d'habitude
La maison de l'Haÿ sentait l'eau de Cologne au muguet de mémé
Dont elle me frictionnait les jeudis, les dimanches et les jours de marché
On partait toutes deux, fières comme des pintades et tout auréolées
De souvenirs communs, de projets d'avenir et d'émotion cachée
"Que ses cheveux sont beaux ! L'est forte comme un veau !" disaient les agricoles
Ça me consolait bien des quolibets taquins des copines d'école
Pour qui "le crin rouquin, ça pue et c'est vilain et c'est toi qui t'y colles"
La maison de l'Haÿ sentait, le soir venu, l'arrivée de ma mère
Sera-t-elle en retard, sera-t-elle épuisée, sera-t-elle en colère ?
Mes devoirs étaient faits, mon pyjama vêtu et mon amour au clair
Planquée dans l'escalier, je guettais tous les bruits et disais des prières
Le jardin de l'Haÿ sentait le géranium et le sable mouillé
Je partais au matin encombrée de lilas cueilli dans la soirée
Courbée sur le chiendent, tu rejoignais déjà ta proche destinée, mémé
"Que la terre est basse, mon Dieu... !" soupirais-tu tranquille et décoiffée
La maison de l'Haÿ sentait, le soir venu, l'arrivée de mon père
Je respirais l'odeur de fuel et de mazout imbibant ses affaires
Il était tout gentil, couvrant de ses bras noirs la blancheur de ma mère
Mais moi, en ce temps là, je haïssais déjà les feux triangulaires
La maison de l'Haÿ sentait les hommes, ailleurs, ça n'a pas changé
La maison de l'Haÿ sentait le clafoutis aux pommes de mémé
A Casa do Haÿ
A casa da periferia cheirava a clafoutis de maçã do mercado
No mercado do Haÿ, eu gostava mais das feirantes do que dos feirantes
Parando a cada dez passos pra abraçar as velhas conhecidas e curvadas
No mercado do Haÿ, eu era a noiva, supostamente, do açougueiro
Mas eu não gostava do açougueiro, ele era cheio de sangue. Ele me dava medo
Eu ia lá pela esposa dele. Ela era tão linda e toda arredondada
Empoleirada no balcão, ela se inclinava pra mim que estendia meu coração
E ria suavemente ao ouvir o marido se elogiando,
Como de costume
A casa do Haÿ cheirava a água de colônia de muguet da vovó
Que ela me passava nas quintas, domingos e dias de mercado
Nós duas saíamos, orgulhosas como galinhas e toda iluminadas
De memórias em comum, de planos futuros e de emoções escondidas
"Que cabelo bonito! É forte como um bezerro!" diziam as agricultoras
Isso me consolava dos comentários provocativos das amigas da escola
Pra quem "o cabelo ruivo, fede e é feio e é você que se ferra"
A casa do Haÿ cheirava, ao anoitecer, a chegada da minha mãe
Será que ela vai se atrasar, será que vai estar cansada, será que vai estar brava?
Meus deveres estavam feitos, meu pijama vestido e meu amor à vista
Escondida na escada, eu escutava todos os barulhos e fazia orações
O jardim do Haÿ cheirava a gerânio e areia molhada
Eu saía de manhã carregada de lilás colhido na noite anterior
Curvada sobre a grama, você já se encaminhava para seu destino, vovó
"Que a terra é baixa, meu Deus...!" você suspirava tranquila e despenteada
A casa do Haÿ cheirava, ao anoitecer, a chegada do meu pai
Eu respirava o cheiro de óleo diesel e de combustível impregnando suas coisas
Ele era todo gentil, cobrindo com seus braços escuros a brancura da minha mãe
Mas eu, naquela época, já odiava os sinais triangulares
A casa do Haÿ cheirava os homens, em outros lugares, isso não mudou
A casa do Haÿ cheirava a clafoutis de maçã da vovó