Mamie métisse
Tu aurais pu te croire jolie
Avec ta peau noire de jais
Mais tu nous disais, mamie,
Que tu étais "café au lait"
Tu aurais pu chanter le blues
Avec ta voix noire de peau
Mais tu préférais l' tango, la java
Mais tu préférais l' tango, ô Mama
Tu fumais comme un sapeur
Tu te couvrais de bijoux
Tu te vêtais de couleurs
Et mettais du rouge aux joues
Des grains de poudre de riz
Pour cacher ton grain de peau
Des grains de poudre aux yeux, mamie,
Tu en mettais toujours trop
{Refrain, x2}
Ma mamie métisse ô ma
Mamie d'ébène et d'ivoire
Dis-moi que tu es là
Que tu m'entends dans le noir
Ma mamie métisse ô ma
Mamie de peine et d'espoir
Ô ma reine de Saba
Tu chantes dans ma mémoire
Noir et Nègre sont des mots
Dont tu m'as transmis la peur
Quand un homme est noir de peau
Je dis qu'il est "de couleur"
Ce sont des grains de pudeur
Pour sabler le poids des mots
Chez ceux qui n'ont pas l'honneur, pas l'honneur
D'être vraiment blancs de peau, blancs de peau
Au début de cette histoire
Un grand champ de cacao
De coton, de café noir
Dans la banlieue de Rio
Qui me l'a mise en mémoire ?
Pas toi, tu ne disais mot
De l'aïeul à la peau noire
De l'ancêtre noir de peau
{au Refrain, x2}
Vovó mestiça
Você poderia se achar bonita
Com sua pele negra como ébano
Mas você nos dizia, vovó,
Que era "café com leite"
Você poderia cantar o blues
Com sua voz de pele escura
Mas você preferia o tango, a java
Mas você preferia o tango, ô Mamãe
Você fumava como uma sapequinha
Se enfeitava com joias
Se vestia de cores
E passava vermelho nas bochechas
Grãos de pó de arroz
Pra esconder sua pele
Grãos de pó nos olhos, vovó,
Você sempre exagerava
{Refrão, x2}
Minha vovó mestiça, ô minha
Vovó de ébano e marfim
Diga que você está aqui
Que você me ouve no escuro
Minha vovó mestiça, ô minha
Vovó de dor e esperança
Ô minha rainha de Sabá
Você canta na minha memória
Negro e Nègre são palavras
Que você me passou o medo
Quando um homem é de pele negra
Eu digo que ele é "de cor"
São grãos de pudor
Pra suavizar o peso das palavras
Para aqueles que não têm a honra, não têm a honra
De serem realmente brancos de pele, brancos de pele
No começo dessa história
Um grande campo de cacau
De algodão, de café preto
Na periferia do Rio
Quem me fez lembrar disso?
Não foi você, você não dizia nada
Do ancestral de pele negra
Do antepassado negro de pele
{no Refrão, x2}