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Carta de um Mineiro a Manuel Llaneza

Victor Manuel

Carta de Un Minero a Manuel Llaneza

Muere el sol y la tarde mientras subo camino del cementerio
A dejar unas flores, una carta, una queja y si acaso algún rezo
Trae la tarde recuerdos de aquellos tiempos
Y me llega el murmullo del río negro.

Tú sabes que al minero si no le pinchan nunca es guerrero,
Tú sabes que gritamos porque estamos cansados de ser pequeños,
De que inventen batallas los viejos perros
Que anteayer se pusieron collares nuevos. (*)

Desde que tú te fuiste, manuel llaneza,
Desde que tú te fuiste sólo hay silencios.

Tú sabes que en tajo paleando tierra sólo pensamos
En la muyer y el guaje y trabayar como burros para estudiarlo,
Pa que no baje el pozo si yo lo puedo,
Que para eso su padre ya fue minero.

Tú sabes que los trapos en nuestra casa hay que lavarlos
Y luchar cada día porque las cosas cambien su estado
Y a las voces de fuera yo no me presto
Pa que ganen su gloria con nuestro esfuerzo.

Tú fuiste un buen paisano y ganaste la gloria con tu trabajo
Y pa hacer la justicia no llevaste en la mano piedra ni palo
Que a nosotros nos sobran cantos extraños
Y nos falta tu mano para guiarnos.

Carta de um Mineiro a Manuel Llaneza

O sol morre e a tarde chega enquanto subo caminho do cemitério
Pra deixar umas flores, uma carta, uma reclamação e, se der, uma oração
A tarde traz lembranças daqueles tempos
E chega até mim o murmúrio do rio negro.

Você sabe que pro mineiro, se não o cutucam, nunca é guerreiro,
Você sabe que gritamos porque estamos cansados de sermos pequenos,
De que inventem batalhas os velhos cachorros
Que anteontem colocaram colares novos. (*))

Desde que você se foi, Manuel Llaneza,
Desde que você se foi, só há silêncios.

Você sabe que na mina, cavando terra, só pensamos
Na mulher e na criança e trabalhar como burros pra estudar,
Pra que o poço não desça se eu posso,
Porque pra isso o pai dele já foi mineiro.

Você sabe que os trapos na nossa casa têm que ser lavados
E lutar todo dia pra que as coisas mudem de estado
E às vozes de fora eu não me presto
Pra que ganhem sua glória com nosso esforço.

Você foi um bom conterrâneo e ganhou a glória com seu trabalho
E pra fazer justiça não levou na mão pedra nem pau
Que pra nós sobram pedras estranhas
E nos falta sua mão pra nos guiar.

Composição: