Neptuno
Cuento las algas que pueblan el mar,
cuento los peces que puedo contar,
las caracolas y todo el coral
hasta las olas que vienen y van.
Ya no hay más agua, más aire,
ni más horizontes que pueda contar.
Como soy rey y no puedo reinar
me he convertido en estatua de sal.
Sé que el tridente no da autoridad
que la experiencia es tan perjudicial.
Cuentan que sube sin prisa y sin pausa
el nivel de las aguas del mar
y es que hace tiempo se han puesto a llorar
todos los seres que viven allá.
Pasan gaviotas y algún cormorán,
viaja hacia el sur una estrella fugaz.
¡Ay! lo que diera por sobrevolar
mares felices libres de alquitrán.
Cuento los barcos y pierdo la cuenta
de tantos que llego a contar.
Costa da Morte que estás frente al mar
tu me enseñaste a gritar "Nunca máis".
Costa da Morte que estás fronte ó mar
ti me ensinache a berrar "Nunca máis"
Netuno
Conto as algas que povoam o mar,
conto os peixes que consigo contar,
as conchas e todo o coral
até as ondas que vão e vêm.
Já não há mais água, mais ar,
nem mais horizontes que eu possa contar.
Como sou rei e não posso reinar
me tornei uma estátua de sal.
Sei que o tridente não dá autoridade
que a experiência é tão prejudicial.
Dizem que sobe sem pressa e sem pausa
o nível das águas do mar
e é que há tempos todos começaram a chorar
todos os seres que vivem lá.
Passam gaivotas e algum corvo-marinho,
vai em direção ao sul uma estrela cadente.
Ai! O que eu daria para sobrevoar
mares felizes livres de alcatrão.
Conto os barcos e perco a conta
de tantos que chego a contar.
Costa da Morte que estás frente ao mar
tu me ensinaste a gritar "Nunca mais".
Costa da Morte que estás frente ao mar
tu me ensinaste a berrar "Nunca mais".