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Mocinha

Víctor Soliño

Mocosita

Vencido, con el alma amargada,
sin esperanzas, saciado de la vida,
solloza en su bulín
el pobre payador,
sin hallar un consuelo a su dolor.
Colgada de un clavo, la guitarra...
en un rincón la tiene abandonada...
De sus amigos
ya no le importa nada...
Tirado en la catrera no hace más que llorar.

En alguna ocasión
sólo se escucha esta canción:
"Mocosita,
no me dejés morir, volvé al cotorro,
que no puedo vivir.
¡Si supieras las veces que he soñado
que de nuevo te tenía a mi lado!
Mocosita,
no seas tan cruel, no me abandones...
Quiero verte otra vez...
Mocosita,
no me dejes, que me mata poco a poco tu desdén."

Dormía tranquilo el conventillo,
nada turbaba el silencio de la noche
cuando se oyó sonar
allá en la oscuridad
el disparo de una bala fatal.
Corrieron ansiosos los vecinos
que presentían el final de aquel drama
y se encontraron,
tirado en una cama,
en un charco de sangre, al pobre payador.
Pero, antes de morir,
alguien le oyó cantar así:
"Mocosita,
no me dejés morir, volvé al cotorro,
que no puedo vivir.
¡Si supieras las veces que he soñado
que de nuevo te tenía a mi lado!
Mocosita,
no seas tan cruel, no me abandones...
Quiero verte otra vez...
Mocosita,
no me dejes, que me mata poco a poco tu desdén."

Mocinha

Vencido, com a alma amarga,
sem esperanças, cansado da vida,
solluza em seu cantinho
o pobre trovador,
sendo incapaz de achar consolo pra sua dor.
Pendurada em um prego, a guitarra...
em um canto a deixou abandonada...
Dos amigos
ainda não lhe importa nada...
Jogada na cama, só faz chorar.

Em alguma ocasião
só se ouve essa canção:
"Mocinha,
não me deixe morrer, volte pro meu canto,
que não consigo viver.
Se soubesse quantas vezes eu sonhei
que de novo te tinha ao meu lado!
Mocinha,
não seja tão cruel, não me abandone...
Quero te ver outra vez...
Mocinha,
não me deixe, que sua indiferença me mata pouco a pouco."

Dormia tranquilo o cortiço,
nada perturbava o silêncio da noite
quando se ouviu soar
lá na escuridão
o disparo de uma bala fatal.
Os vizinhos correram ansiosos
que pressentiam o fim daquele drama
e se encontraram,
jogado em uma cama,
em um poça de sangue, o pobre trovador.
Mas, antes de morrer,
alguém o ouviu cantar assim:
"Mocinha,
não me deixe morrer, volte pro meu canto,
que não consigo viver.
Se soubesse quantas vezes eu sonhei
que de novo te tinha ao meu lado!
Mocinha,
não seja tão cruel, não me abandone...
Quero te ver outra vez...
Mocinha,
não me deixe, que sua indiferença me mata pouco a pouco."

Composição: