exibições de letras 68

Eles Falam Quando Deveriam Ouvir

Viela 17

Letra

    Não é nossa culpa, nascemos com uma bênção
    Mais isso não é desculpa, pela má distribuição

    Temos crack na esquina, mãe chorando na vila
    Temos morte, desgraça, a caneta que finda
    Terno veste um cadáver e a agonia consome
    Mas não falho o discurso, chuto ratos ao longe
    Tenho dó, de quem plantou o flagrante moleque
    Morte ao povo negro, o povo pardo, silêncio pivete
    Sem direito declamam, desespero por grana
    O sistema avisa, tem propina e piranha
    Quem adere a conceitos, por migalha se mata
    O seu voto define, quem se safa ou paga
    Errou, admitiu a vera todo preconceito
    Não tem boi favela, tome tiro no próprio joelho
    O velório prossegue, cobra sempre no bote
    Faz de conta que soma, subtrai no rebote
    Povo pena nas ruas, noite escura adentro
    Põe derrota no prato, entre tantos lamentos

    E cadê a esmola, que nos damos sem perceber
    Que aquele abençoado, poderia ter sido você

    Somos poucos pra eles, maioria agoniza
    O barraco na encosta, aqui jaz a família
    Tem esgoto na rede de TV, só descaso
    Tira foto pilantra, põe sua vida no ralo
    Álcool, droga, vadia, tá de boa quadrilha
    Extermínio de jovens, a polícia avisa
    Quem cair tá fudido, aço corta a vida
    Tem escolas vazias, tudo certo família
    O fedor que consome, somos podres pra eles
    Voto vale o que come, porra traga mais redes
    O cansaço intima, mas cachaça, mais briga
    Os moleque na rima, outra quadra na mira
    A seguir cemitério, futuro detonado
    Segue a vida, vai capengando o finado
    A navalha que corta a carne, pacto de sangue
    Quanto mais miséria, os burgueses renova o levante

    Não é nossa culpa, nascemos com uma bênção
    Mais isso não é desculpa, pela má distribuição

    Nos colocaram pra escolher entre a fome e o crime
    Optamos pela guerrilha, a resistência sobrevive
    Traz motivação que nos inspira a ser melhor
    A lágrima de uma mãe que chora fala por si só
    Estudo e militância infelizmente é exceção
    A revolta da minha gente, é fruto da sua exclusão
    Do seu padrão que nos mantém no subemprego
    Senhores de engenho ainda exploram nosso povo negro
    Denúncia mermo, rabo preso com ninguém
    Justiça no Brasil é puta, e enxerga muito bem
    Prospera no vintém que compra voto e vaidade
    Subornam seus capachos, mas não compra nossa integridade
    Seja a verdade, no rap pras quebrada
    Que haja colete pra tanta prova de bala
    Parlamentar corrupção favela indignada
    Até quando esperar e ajoelhar-se em troco de nada?

    E cadê a esmola, que nos damos sem perceber
    Que aquele abençoado, poderia ter sido você

    Composição: Dillo D'Araujo / Heitor Valente / Viela 17. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Viela 17 e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção