
Líricas do Abismo
Vitor Vieira
Entre a ponte e o abismo
O que resta é a força
Me encontro parado
Logo na entrada de uma selva densa
Selva armada
Esculpida na pedra fria
Dos sinuosos caminhos
Que alimentam a vontade
E o estandarte de desejos incertos
Me encontro longe
Mesmo estando perto de mim mesmo
Perto do céu e do inferno
Num trânsito constante entre a plenitude
E um vazio que expande
Se a concretude do destino
Se apresenta em linhas tortas
Busco em frente o meu trilhar
Nesta trama de tecidos
Que ora alisa, ora alastra
E rasga a pele onde habito
Como olhar-me num espelho
Já quebrado em tantos cacos
Como esgueirar-me pela vereda
Que trará algum sentido?
Vejo líricas no abismo
Refletido nessas entranhas
Tão estranhas ao meu ventre
E se hoje estou aqui
Perante um Deus tão cruel
Que me castigará ao amar um igual
O que eu busco é um lápis bem apontado
Com ele, encontro um ponto de equilíbrio
E traço uma rota de fuga num velho papel
Que contempla a história
De todas as pessoas que
De alguma forma, embarcaram comigo
Ventos do norte me levam de volta
Ao sul que me pôs no caminho
Minha alma atravessa a janela
Forrada de sal, madeira e cominho
E encontro-me agora, mãos em prece
Na beirada da cama, pequenino
Donde indago (um tanto aflito)




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