Na sombra do Cachimbo

Vozes de Aruanda

Ô fío, fía
Tu pense que tá só
Mas esse velho tá sempre contigo
Quando teu peito aperta, eu respiro junto
Quando tua lágrima cai
Eu me abaixo no chão
E junto ela na palma da mão
Eu sou presença no silêncio
Sou raiz no teu caminho
Sou guarda que não dorme na beira da tua estrada

Escuta
No sussurro do vento é minha voz que te chama
Na brasa que não apaga é minha reza que aquece
Na folha que balança é meu canto que embala

Eu digo em verso
Quase em canto
Eu tô contigo
Eu tô contigo

Nas curvas da vida
No peso da lida
Na força do tempo
No sopro do vento

A paciência é minha guia
Porque sei que até a pedra
Com o tempo se faz pó
E até a dor com fé se faz cura

Eu te ensino à esperar fío
Como quem espera a Lua nascer
Como quem espera a chuva regar a terra seca
Como quem espera o fruto adoçar no pé

Ooh fío
Ooh fía
Quando o mundo fechar as portas
Abre teu coração que eu entro sem bater

Eu sou canto de esperança na tua noite escura
Sou caminho de volta quando o passo se perde
Sou abraço invisível quando teu braço fraqueja

E assim vou falando, vou cantando, vou te guiando
Não com pressa, mas com tempo
Não com grito, mas com calma
Porque o amor desse velho não se apressa
Ele se assenta, se firma, se eterniza

Lembra fío nunca caminhastes só
Na sombra e na luz
No choro e no riso
Lá estou eu preto velho
Que sempre guarda
Que sempre guia
Que sempre canta baixinho
Eu tô contigo
Eu tô contigo


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