A Lenda do Véu da Noiva
Walber Costa
O ferro frio corta o horizonte
Onde dois mundos nunca deveriam se encontrar
Um, a linhagem de quem manda e impõe a sorte
Outra, o sonho simples de quem aprendeu a lutar
A promessa foi feita em segredo, longe dos olhares
Mas o relógio da torre não sabia esperar
A chave girou pesada na porta de madeira
E o silêncio tornou-se o altar onde ele não pôde chegar
Ela vestiu o branco, a renda, a espera
Mas o trem apitou chamando pela despedida
A esperança se dissolveu na atmosfera
De uma vida que se perdeu antes de ser vivida
E a neblina desce, cobrindo o que restou
Não é o tempo, é ela que voltou
O seu véu se arrasta entre os trilhos, na solidão
Buscando o abraço que o medo negou, no porão
Oh, o véu da noite não quer se apagar
Ela ainda vaga, esperando o seu par
Dizem que, do alto daquela borda de pedra
O vestido flutuou como um pássaro sem asas
Abaixo, o abismo acolheu a sua quebra
Enquanto a névoa subia, engolindo as casas
E hoje, quem acampa sob o céu de gelo e vento
Jura ver uma sombra, um movimento, um lamento
E a neblina desce, cobrindo o que restou
Não é o tempo, é ela que voltou
O seu véu se arrasta entre os trilhos, na solidão
Buscando o abraço que o medo negou, no porão
Oh, o véu da noite não quer se apagar
Ela ainda vaga, esperando o seu par
Não é apenas história de quem atravessa o caminho
É a dor do amor que ficou no desalinho
A névoa não é clima, é uma alma que chama
Uma chama fria, de quem nunca deixou de amar
Nunca deixou de amar
Apenas o vento
Entre os trilhos
O véu descansa
Mas nunca se vai



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