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Fantasias de Criança

Walter Lajes

Letra

    Antes do primeiro dente
    Rasgar as minhas gengivas
    Mil ilusões compassivas
    Criaram-se em minha mente
    Meu mundo de inocente
    Era de simplicidade
    Não tinha visto a metade
    Do mal dos futuros dias
    E um mundo de fantasias
    Circundava minha idade

    A noite adormecedora
    Amarra-me em seus laços
    Adormecendo nos braços
    Da minha mãe protetora
    Uma rede aquecedora
    Armada num camarim
    Era forrada e no fim
    Eu sussurava um ressono
    A inocencia do sono
    Reinava dentro de mim

    Aos poucos fui crescendo
    Transformando a esperança
    As ilusões de criança
    Foram logo aparecendo
    O meu futuro fui vendo
    Em fartos mananciais
    Sonorizantes pardais
    Cantando e bicando as penas
    Mais tudo aquilo era apenas
    Fantasias e nada mais

    As consolantes chupetas
    De mim nunca se apartavam
    Diante de mim giravam
    As mais rápidas carrapetas
    As mais belas borboletas
    Beijavam os botões pendidos
    Nos jardins esmaecidos
    A flor beijava os cascalhos
    E se espalhavam entre os galhos
    Dos ramos enverdecidos

    Como de uma mãe só sai
    Principios de amor e classe
    Ensinava que eu chamasse
    Mamae, titio, papai
    Dos vivos lábios de pai
    Eu contemplava o sorriso
    Como o mais fiel aviso
    Do amor que expressava
    Pra mim meu lar igualava
    A um divinal paraíso

    Ao passear pelos cumes
    Robustecidos de rosas
    As florzinhas mais cheirosas
    Doavam-me seus perfumes
    Para mim os vagalumes
    Eram lampadas de uma festa
    Que entre a noite modesta
    Emprestavam brilho as ervas
    Pendidas por entre as trevas
    Que afogavam a floresta

    Mamae que me dava pao
    E pelo filho ciuma
    Tinha os braços como espuma
    Quentes iguais ao verao
    Quando morfeu com a mão
    Recolhia-me em seu seio
    Eu adormecia cheio
    Daquilo que o sono ama
    Papai e mamae na cama
    E eu bem feliz no meio

    Diante aos objetos
    Que havia sobre a sala
    Ecoava minha fala
    Muito carente de afetos
    Os meus passos incompletos
    Revelando teimosias
    E as minhas lágrimas frias
    Que derramava chorando
    Aos poucos iam molhando
    Meu mundo de fantasias

    Ao contemplar o luar
    Via no céu que flutua
    Os lábios pálidos da Lua
    Querendo me oscular
    Eu não sabia afagar
    Com palavras docemente
    Aquele rosto atraente
    Que no céu suspenso havia
    Naquilo eu adormecia
    No meu colchão de inocente

    Sonhar vendo as criaturas
    Num eden de flor e frutos
    Andar entre os bichos brutos
    A procura de aventuras
    Quando as ilusões futuras
    Estão mortas na distância
    Aceitar a tolerancia
    Caricia e amor profundo
    São fantasias de um mundo
    Aonde impera a infância!


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