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A Dança dos Mortos

Weeping Birth

Der Tanz der Toten

Rise! Rise! Tragic hatred, rise!
I summon you, I invoke you
Rise from the cradle where you have been silently dwelling
Ever since my very first breathing

One in me, may our two bloods mingled be
Sharing the same pulse deprived of mercy
For such was the burden
Under which man was sunken

Telle était votre danse morbide, maintenant moribonde
Rongée par elle-même tant elle était immonde
Un non à la vie gémi par milles pores suintants
D'un accablement haletant et purulent
D'abord simplement égarés puis lamentablement effondrés
Rassemblés par la démesure qui vous avait éparpillés
Voila que s'avance l'ombre du glas qui déjà au loin résonne
Et de sa lourde voix votre extinction pure coordonne

Also sprach der Lebende, der keine Heimat hatte.
Also sprach der Einzige, in seinem Eigentum eingesperrt.

Es gibt nur eine Lösung, die von selbst durchsetzen wird
Zerstörend die unzähligen Abirrungen: der Tanz der Toten

Avec pour seules armes nécessaires
La résignation, la patience et l'observation
L'homme regarde le sous-homme s'étourdir
S'évanouir, croupir puis enfin mourir
Délivrant le sol de sa présence aberrante
Aussi calamiteuse que désespérément persistante
Un jour un hourra épuré s'élèvera
Mais jusqu'alors, seul le fracas du tonnerre retentira

Puis vos petites oreilles se résorberont
Afin de ne plus percevoir aucun son
Vos yeux fuiront vos orbites
Votre cœur deviendra granite
Alors votre sang perlera
Faisant ainsi éclore votre aura
Et tel un fruit mûr vous tomberez de l'arbre
Pour pourrir sur vos constructions de marbres

Und schliesslich wird der Tanz aufhören
Und schliesslich werde Ich aufstehen können

Et enfin le rire s'élèvera et, parmi les décombres de la folie, soufflera
Les dernières cendres des inaptitudes démentielles de la foi
Que le sang jaillissant des jugulaires bouchées par un magma de Grâce
Avait mis à mort en un ultime mouvement moral contre lui-même

La fin de l'Histoire, la fin de l'Homme
La fin de la Masse, la fin du règne aberrant de toute Meta-

A Dança dos Mortos

Levante-se! Levante-se! Ódio trágico, levante-se!
Eu te convoco, eu te invoco
Levante-se do berço onde você tem estado em silêncio
Desde a minha primeira respiração

Um em mim, que nossos dois sangues se misturem
Compartilhando o mesmo pulso desprovido de misericórdia
Pois esse era o fardo
Sob o qual o homem estava afundado

Tal era sua dança mórbida, agora moribunda
Correndo por si mesma, tão imunda que era
Um não à vida gemia por mil poros suando
De um abatimento ofegante e purulento
Primeiro simplesmente perdidos, depois lamentavelmente desmoronados
Reunidos pela desmedida que os havia espalhado
Eis que avança a sombra do sino que já ao longe ressoa
E com sua voz pesada, sua extinção pura coordena

Assim falou o Vivente, que não tinha lar.
Assim falou o Único, preso em sua propriedade.

Só há uma solução, que se imporá sozinha
Destruindo as inúmeras desvios: a dança dos mortos

Com apenas as armas necessárias
A resignação, a paciência e a observação
O homem observa o sub-homem se atordoar
Desvanecer, apodrecer e finalmente morrer
Liberando o solo de sua presença aberrante
Tão calamidosa quanto desesperadamente persistente
Um dia um grito puro se elevará
Mas até lá, só o estrondo do trovão retumbará

Então suas pequenas orelhas se fecharão
Para não perceber nenhum som
Seus olhos fugirão de suas órbitas
Seu coração se tornará granito
Então seu sangue perlará
Fazendo assim brotar sua aura
E como um fruto maduro você cairá da árvore
Para apodrecer sobre suas construções de mármore

E finalmente a dança vai parar
E finalmente eu poderei me levantar

E então o riso se elevará e, entre os escombros da loucura, soprarão
As últimas cinzas das incapacidades dementes da fé
Que o sangue jorrando das jugulares entupidas por um magma de Graça
Tinha matado em um último movimento moral contra si mesmo

O fim da História, o fim do Homem
O fim da Massa, o fim do reinado aberrante de toda Meta-

Composição: Vladimir Cochet