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A Última Viagem

Willian Barros

Letra

    Era uma noite de domingo na hora marcada quatro manos em um carro seguiam pra balada
    Queria agitar, vibrar se divertir sem se quer imaginar o que estava por vir
    Sorriam, cantavam celebrando a vida brindando o momento com copos de bebida
    Enquanto em casa seus pais de joelhos no chão rogavam Deus te entregamos
    Nosso filho em suas mãos
    Já que nossos conselhos nunca foram ouvidos
    Quem sabe hoje os seus anjos o livrem do perigo de ter que despertar do
    Como na UTI dizendo mãe eu deveria, mas nunca te ouvi
    Pai eu nunca dei valor ao que falava enquanto me instruía eu dava gargalhas
    E saía sem ao menos os deixar dizer
    Filho te amamos aconteça o que acontecer
    Não queremos vê-lo em um sinal fechado esmolando com a receita o que foi medicado
    Ou na tragédia que faz a vida ganhar sentido
    Mostrando quem são seus verdadeiros amigos nem que nós sempre estivemos com a razão
    Por isso Deus te suplicamos a sua proteção
    Naquela noite suas preces não absolveram os réus
    E o Diabo apareceu bem antes que os anjos do Céu

    Aqui a lei não vigora e segue na contra-mão com quem transforma
    Carro e moto em arma de destruição
    O DENATRAN na prática te faz entender que mesmo que não queira ele vai te corromper
    Na Blitz te mostrará que de nada adiantou sua CNH o IPVA que te cobrou
    Pois, o sistema te atropela em qualquer esquina se um agente te parar
    E você não pagar propina
    Então pra que sinais e placas se contamos com a sorte?
    Na faixa de pedestre cuidado com a morte
    No Brasil há uma guerra nas vias nas estradas a cada 15 minutos uma pessoa atropelada vítima
    De quem trafega quase sempre alcoolizado certo de que se matar nem se quer será julgado
    Que responderá seus crimes em plena liberdade e não sentirá a dor
    Tão pouco a saudade do parente
    Que morreu brutalmente atropelado por um carro a 100 por hora e nem socorro foi prestado
    Ou saberá o que é viver aprisionado a uma cadeira sonhando
    Em dar um passo o resto da vida inteira
    Ou a tristeza do pai que ao velar seu filho prometeu fazer justiça
    Enquanto ele estiver vivo a dor da mãe
    Que no mundo perdeu o que mais amava lendo a carta do eu filho psicografada

    O baile estava lotado e em meio a multidão os quatro amigos
    Perdiam a noção do quanto suas mentes podiam suportar
    Agora além de bebidas passaram a cheirar algo
    Que os levou a sensações irreais a ponto de acreditarem
    Que eram imortais, que estavam vivendo tão intensamente
    Mas isso não fará sentido daqui pra frente
    Eufóricos de corações acelerados, sistemas nervosos centrais desequilibrados
    Pupilas dilatadas e o mundo a girar
    Em poucos minutos outra dose virá
    Drogas e mais drogas era o verso da canção levando ao delírio aquela multidão
    De jovens que desconhecem a palavra limite
    Mas não terão o prazer de conhecer a velhice
    A festa acabou é hora de partir mesmo sendo impossível alguém dirigir
    O carro foi ligado e em poucos segundos eles
    Se transportavam para outro mundo a mais de 100 por hora
    Em uma avenida entre ferragens seus corpos perderam a vida
    Eles brincaram, abusaram da própria sorte
    Subestimaram, julgaram-se acima da morte
    Hoje o que restam são flores e cruzes em homenagem
    Na curva onde fizeram a última viagem


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