395px

IV - A Morte

Wolfshade

IV - La Mort

Couvert d'un linceul,
Rampant dans la morne nuit,
A l'heure où les morts s'éveillent,
Je parcours le sinistre chemin d'un passé enterré.

Sur le reflet des tombes,
Un visage souillé par un océan de vers,
Un visage glacé par une attente interminable ...

Quelle est cette substance ?
Si brûlante
Suintante de ma face blême ...

Ô Lune empoigne-moi de ta tranchant lame,
Donne-moi la force de m'élever.
Je ramasse un par un les lambeaux oubliés sous les terres.
Pourquoi cet âcre frisson lancinant et bouffant mon putride intérieur ?

Parle-moi ,
Touche-moi,
Empoigne-moi dans ton macabre univers,
Là ou les créatures attendent dans leur sommeil éternel ...

Je te donne mon abnégation,
Jusqu'à trépas tant espéré. De ta volupté je me nourrirai,
Ô chimère tant sibylline.
Ainsi rampant sous les pâles lueurs de la Lune,
Telle une créature ignominieuse,
Je m'abandonne attendant, que la Mort vienne me chercher,
Et m'emporter aux côtés des mânes perdus ...

IV - A Morte

Coberto por um sudário,
Rastejando na noite sombria,
Na hora em que os mortos despertam,
Eu percorro o caminho sinistro de um passado enterrado.

Sobre o reflexo das sepulturas,
Um rosto sujo por um oceano de vermes,
Um rosto gelado por uma espera interminável ...

Qual é essa substância ?
Tão ardente
Escorrendo do meu rosto pálido ...

Ó Lua, agarra-me com tua lâmina afiada,
Dá-me a força de me elevar.
Eu recolho um por um os retalhos esquecidos sob a terra.
Por que esse arrepio amargo e lancinante consumindo meu interior podre ?

Fala comigo,
Toca-me,
Agarra-me em teu universo macabro,
Lá onde as criaturas aguardam em seu sono eterno ...

Eu te dou minha abnegação,
Até a morte tão esperada. Da tua voluptuosidade eu me alimentarei,
Ó quimera tão enigmática.
Assim rastejando sob os pálidos raios da Lua,
Como uma criatura ignominiosa,
Eu me entrego esperando, que a Morte venha me buscar,
E me leve ao lado das almas perdidas ...

Composição: