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Oh, Negra!

Yoel Soto González

Oh, Negra!

Quiero caminar alguna calle contigo
De aquellas que de mano me quitaste el frío
Cuando la Luna aun más alta alumbraba con brío
Y la sombra de tu cuerpo me servía de abrigo

Aquellas que en mis pies crecieron las ampollas
Maduradas por asfaltos sin ti ni demoras
Y las cicatrices que tus dulces labios devoran
Me corren en el pecho sin segundos ni horas

Aquellos ríos que sin querer arrebataban
Las ganas de marcharse porque esperaba
Tu sonrisa como hoja sobre el agua navegaba
Y yo con tanto frío y tú que me desnudabas

Mi padre en la mañana colaba café
Mi hermana de su sueño despertaba a las diez
Y tú, negra buena, dónde estás que no me ves
Ahora que tan lejos se me ha hecho el ayer

Y tengo hambre de tu abrazo
De tu mano cuando apagas la luz
De tus buenas noches, de tus pasos
De tu silencio y de tu juventud

De la chancleta que volaba el espacio
Cuando enfadaba, negra, tu virtud
Y aunque maldito no importaba el regaño
Porque sabía que allí estabas tú

¡Oh, negra! Yo siento de lejos tus emociones
Asì crezco odiando banderas, revoluciones

Y regreso a mi calle cada abril posible
Recorro las aceras de agua irreversible
Persigo la ruta que tú, negra, hiciste
Aun cuando era inmenso el peso y el dolor

Oh, Negra!

Quero andar por alguma rua contigo
Daquelas que, de mãos dadas, me tiraram o frio
Quando a Lua ainda mais alta brilhava com força
E a sombra do teu corpo me servia de abrigo

Aquelas que nos meus pés fizeram bolhas
Amadurecidas por asfaltos sem você e sem pressa
E as cicatrizes que teus lábios doces devoram
Correm no meu peito sem segundos nem horas

Aqueles rios que sem querer levavam
A vontade de ir embora porque eu esperava
Teu sorriso como folha sobre a água navegava
E eu com tanto frio e você que me despia

Meu pai de manhã coava café
Minha irmã acordava de seu sonho às dez
E você, negra boa, onde está que não me vê
Agora que tão longe se tornou o ontem

E eu tenho fome do teu abraço
Da tua mão quando apaga a luz
Das tuas boas noites, dos teus passos
Do teu silêncio e da tua juventude

Da chinela que voava pelo espaço
Quando você se irritava, negra, sua virtude
E mesmo sendo xingado não importava a bronca
Porque eu sabia que ali você estava

Oh, negra! Eu sinto de longe suas emoções
Assim cresço odiando bandeiras, revoluções

E volto pra minha rua todo abril que é possível
Caminho pelas calçadas de água irreversível
Persigo a rota que você, negra, fez
Mesmo quando o peso e a dor eram imensos

Composição: Yoel Soto