El Equilibrio Del Mundo
Porque no puedo, porque no puedo ni hablar
Soy un torero con menos huevos que un flan
Cuando preguntan por vos, cuando te nombra otra voz
Cuando te veo pasar, cuando te vuelvo a pensar
Cuando te sueño de frente y se siente a la muerte gritar
Vos sos la vida, yo soy la muerte de una golondrina
Vos sos la ruta, yo soy una garita con dos putas sin dormir
Vos sos la risa, yo soy lo que miró la mona lisa
Vos sos el cielo, yo soy un barrilete al que soltaron el piolín
Porque no puedo, porque no puedo ni hablar
Soy un cangrejo puto, viejo y para atrás
Cuando llamas porque sí y te empezas a reír
Contando cosas nomas te me invitas a cenar
Mi corazón se me sale de putas para festejar
Vos sos la playa, yo soy el gordo que perdió la malla
Vos sos la tierra, yo soy como un avión que se hace mierda contra vos
Vos sos el agua, yo soy un salame en el desierto
Vos sos el centro, yo la villa miseria más al sur que se inundó
Porque no puedo, no puedo ni contestar
Soy un coquero que no aprendió a cosechar
Me pruebo ropa al revés
Soy Julia Roberts en Mujer Bonita
Pero por menos guita
Vos sos la gloria, yo soy un club que entró en convocatoria
Vos sos el brillo, yo soy el calzoncillo agujereado de una violación
Vos sos la fama, yo soy una promesa fracasada
Vos sos vanguardia, yo soy la taquicardia en una guardia de Morón
Porque no puedo, porque no puedo escribir
Soy como Piero cuando volvió de Madrid
Cuando te veo cruzar las piernas de la ciudad
En ese escote perdí lo que quedaba de mi
La redondez de la tierra está en guerra contra tu perfil
Vos sos progreso, yo soy un coche viejo en la banquina
Vos sos Florida, yo soy un empedrado que termina en un zanjón
Vos sos el eje, yo soy la primer mina que se deje
Vos sos el alma, yo soy una guirnalda de un festejo que pasó
Porque no puedo, no puedo hacerme rogar
Soy como Bush haciendo dedo en Bagdad
Yo se que te aprovechas porque te gusta pensar
Que todo es parte de un plan que nunca puede fallar
El equilibrio del mundo depende de cada pavada
Vos sos victoria, yo soy el perro corre zanahorias
Vos sos el premio, yo la medalla puta de ese premio que tiras
Vos sos remedio, yo soy la concesión del cementerio
Vos sos belleza, yo soy una traviesa que jugó de centrojás
Vos sos el rumbo, yo soy un vagabundo sin destino
Vos sos abrigo, y yo el mendigo que muere de frío en tu portal
Vos sos la gracia, yo soy la mueca de las eutanasias
Vos sos certeza, yo soy una promesa de borracho en Navidad
O Equilíbrio do Mundo
Porque não consigo, porque não consigo nem falar
Sou um toureiro com menos coragem que um pudim
Quando perguntam por você, quando outra voz te nomeia
Quando te vejo passar, quando volto a pensar em você
Quando sonho com você de frente e sinto a morte gritar
Você é a vida, eu sou a morte de uma andorinha
Você é a estrada, eu sou uma guarita com duas putas sem dormir
Você é a risada, eu sou o que olhou a Mona Lisa
Você é o céu, eu sou um papagaio que soltaram o piolinho
Porque não consigo, porque não consigo nem falar
Sou um caranguejo viado, velho e pra trás
Quando você liga só porque sim e começa a rir
Contando coisas só me convida pra jantar
Meu coração sai de putaria pra festejar
Você é a praia, eu sou o gordo que perdeu a sunga
Você é a terra, eu sou como um avião que se espatifou contra você
Você é a água, eu sou um salame no deserto
Você é o centro, eu sou a favela mais ao sul que se inundou
Porque não consigo, não consigo nem responder
Sou um coqueiro que não aprendeu a colher
Experimento roupas ao contrário
Sou Julia Roberts em Uma Linda Mulher
Mas por menos grana
Você é a glória, eu sou um clube que entrou em recuperação
Você é o brilho, eu sou a cueca furada de uma violação
Você é a fama, eu sou uma promessa fracassada
Você é vanguarda, eu sou a taquicardia em uma emergência de Morón
Porque não consigo, porque não consigo escrever
Sou como Piero quando voltou de Madrid
Quando te vejo cruzar as pernas da cidade
Naquele decote perdi o que restava de mim
A redondeza da terra está em guerra contra seu perfil
Você é progresso, eu sou um carro velho na beira da estrada
Você é Florida, eu sou um calçamento que termina em um bueiro
Você é o eixo, eu sou a primeira mina que se deixar
Você é a alma, eu sou uma guirlanda de uma festa que passou
Porque não consigo, não consigo me fazer de rogado
Sou como Bush fazendo sinal na Bagdá
Eu sei que você se aproveita porque gosta de pensar
Que tudo faz parte de um plano que nunca pode falhar
O equilíbrio do mundo depende de cada besteira
Você é vitória, eu sou o cachorro que corre atrás de cenouras
Você é o prêmio, eu sou a medalha vagabunda desse prêmio que você joga
Você é remédio, eu sou a concessão do cemitério
Você é beleza, eu sou uma travessa que jogou de centroavante
Você é o rumo, eu sou um vagabundo sem destino
Você é abrigo, e eu sou o mendigo que morre de frio no seu portal
Você é a graça, eu sou a careta das eutanásias
Você é certeza, eu sou uma promessa de bêbado no Natal