Le bruit des boucliers
Le feu gagne la ville
Ces magasins qu'on pille
C'est l'éclair avant-coureur
D'un orage salvateur
À l'approche de la révolte,
La préfecture complote
Et prépare sa réplique,
Habituelle et cynique.
Dans toutes les rues, les allées
Chacun entend résonner
Un pas lourd et cadencé
Le bruit sourd des boucliers
Chacun voit, au coin du balcon
L'bon citoyen Bidochon
Aux idées et cheveux courts,
Au sécuritaire discours
Allez vas-y un grand gnon
Aux arboreurs de blasons,
Aux sbires du borne bestial
Et effrontément national,
Aux briseurs de militants
Aux juges qui lavent plus blanc
Et qui remplissent les charters
De faciles boucs émissaires.
Mais c'est une autre affaire
Que d'étrangler la misère
De résorber le chômage,
Fruit d'un systême sauvage,
De trouver des logements
Pour abriter les indigents,
Et de raser sans sursis
Les viles cités de l'ennui.
O Barulho dos Escudos
O fogo toma a cidade
Essas lojas que estão sendo saqueadas
É o relâmpago precursor
De uma tempestade salvadora
Com a revolta se aproximando,
A prefeitura trama
E prepara sua resposta,
Habitual e cínica.
Em todas as ruas, nos becos
Todo mundo ouve ressoar
Um passo pesado e cadenciado
O barulho surdo dos escudos
Cada um vê, na esquina da varanda
O bom cidadão Bidochon
Com ideias e cabelo curto,
Com seu discurso de segurança.
Vai lá, dá um grande soco
Nos que ostentam brasões,
Nos capangas do bestial
E descaradamente nacional,
Nos quebradores de militantes
Nos juízes que lavam mais branco
E que enchem os charters
De fáceis bodes expiatórios.
Mas é outra história
Estrangular a miséria
Resolver o desemprego,
Fruto de um sistema selvagem,
Encontrar moradia
Para abrigar os indigentes,
E demolir sem perdão
As vilas miseráveis do tédio.