exibições de letras 1.697

Um Travesti No Sertão

Zé Ceará

Letra

    No sertão tem muié bela
    Cabra que usa facão
    Os home vão pro roçado
    As muié vão pro fogão

    No sertão a bala avoa
    Na latada do forró
    E o home que num namora
    Os cabra manda ir simbora
    Procurá outro xodó

    No sertão o cabra é macho
    E a muié feminina
    Num tem esse cambalacho
    De home cum a voz fina

    Mas num dia de sol quente
    Casamento de Rosinha
    Apareceu o diacho
    Na forma duma bichinha

    Parecida cum a Xuxa
    Num vistido cor lilás
    A paquita do Exu
    Que redimiu satanás

    A dama, além de formosa
    Era bizarra e faceira
    Dançava rodando a saia
    Em torno duma fogueira

    Foi pro lado de Juvino
    Toda dançando, ligeira
    no coitado do matuto
    Bateu logo a tremedeira

    Depois dançou com Calixto,
    Zé Bento, Joca e Mané
    Dançou inté cum Tonico
    Que era aleijado dum pé

    Dançou, bebeu, encantou
    Os cabra daquela terra
    Parecia Lady Dy
    Princesa da Inglaterra

    O coroné Virgulino
    Quando viu se apaixonou
    Botou logo o mió terno
    E todo se embonecou

    Entrou todo satisfeito
    Na latada do forró
    Foi dançá com a danada
    Que as perna dava um nó

    O coroné pensou logo
    Acabou o meu tormento
    Foi logo propondo à dama
    Era amor prá casamento

    Quando acabô o forró
    Levou a danada imbora
    Apregada a tiracolo
    Num via chegar a hora

    Deitaram logo na cama
    E começou o xodó
    Era o maior rela-buxo
    Por debaixo dos lençó

    Jogou fora o paletó
    Ela atirou o vestido
    E disse: mais devagar
    Somente quando Eu casar
    Eu dou o meu perseguido

    Mas o coroné, matreiro
    Fungando feito um tarado
    Ciscando que nem um gola
    Deixou, num piscar de olho
    A moça só de caçola

    O coroné foi descendo
    Ela obrigou a brecar
    Só libero a bacurinha
    Quando o padre autorizar

    Ele de tanto tentar
    Já tava desconfiado
    Que butija escondida
    Que bombom mais embruiado

    O coroné tava doido
    Depois de tanta esfregada
    Deu um puxão na tanguinha
    Deixou a muié pelada

    Preparou prá dar o bote
    Vou devorar essa preza
    Mas parou, estatelado
    Com aquela malvadeza

    Invés da felicidade
    Que a noite prometeu
    O negócio da comadre
    Era maior que o seu

    Ao invés da tênue relva
    De leve e pura beleza
    Tava deitado cum macho
    Na maió das safadeza

    Puxou logo da peixeira
    Começou a fumaçá
    Te cuida cabra safado
    Agora o pau vai cantá

    Ela disse: coroné
    Os tempo tão diferente
    Esquece os teus preconceito
    E vamo tocá prá frente

    Se já tá tudo mudado
    Se o juízo tá nas venta
    Se são direitos iguais
    Então que é que tem demais
    Sê igual as ferramenta?

    Coroné jogou a faca
    Sartou fora o capeta
    O diabo é quem fica aqui
    O coronel é careta

    O macho-e-fêmea escapou
    Corria que só jumento
    Tão querendo me aleijar
    Tirar os meus documento

    Vou me embora prá cidade
    Num vorto mais pro sertão
    Aqui a prosa é concreta
    Não tem aduvinhação

    Prás cabôca bem faceira
    Tem festa, amor e baião
    Mas pros cabra afeminado
    Vestindo saia e tarado
    Só foice, bala e facão


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Zé Ceará e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção