Le Petit Robert
Petit, j'étais largué, on dit ici "à lourdes"
Dans ce que l'on appelle une famille lourde
L'amour y était le contraire du doute
La tête collée contre le poêle à mazout
Rêveur et j'ose même dire dans le coton
A attendre qu'on me dessine un mouton.
Mouton je l'étais jusque dans la tonsure
Mais les brushings font pas dans la littérature
La main de ma mère était là en cas de doute
Comme un parapluie qui te protège des gouttes
De pluie, et j'ose même dire du mauvais temps
On avait rien, on était content.
{refrain:}
Mais c'était avant qu'on me dise dégage
Et qu'on ne me parle plus au présent
Avant qu'on déchire mes pages
Et qu'on me dise: "place et au suivant"
Avant qu'on ne me dise il n'y a plus de place assise
Et... avant qu'on ne me parle plus au présent
Avant qu'on ne me déchire une page et qu'on me dise
Avant c'était avant... et place au suivant.
Petit, j'étais gentil, j'étais même agréable
J'écrivais les deux coudes posés sur la table
J'ôtais de ma bouche les insanités
Comme un petit prince de l'humanité
Rêveur, je cédais ma place aux personnes âgées
Pour un sourire, une poignée de dragées.
J'enlevais ma casquette en entrant à l'école
Mais être poli, ça dispense pas des colles
Gentil, et tout à la fois dernier de la classe
Eveillé, comme pouvait l'être une limace
Je dormais, j'ose même le dire si profond
Et que s'écroule le plafond.
{au refrain}
Car j'attendais, petit prince des gloutons
Qu'on me porte à la bouche des paquets de bonbons
Y avait pas la monnaie mais c'était tout comme
Car le baiser remplaçait l'économe
Rêveur, et malgré les corvées de charbon
Ma récompense était un bisou à l'horizon
Mais dépassé le siècle où on te met au couvent
J'étais si nul, ma mêre a pris les devants
Et se pointait à l'école un chiffon dans la chevelure
La maîtresse disait "regardez ces ratures!"
Le coeur en miettes, elle faisait parler l'eau et le sel
Et s'en retournait à sa vaisselle...
{au refrain}
A 18 h pétantes, se pointait le maçon
Un seul regard et à l'heure des cuissons
Y disait "vous voulez qu'on nous coupe les bourses"
A ces mots une larme descend de la grande ourse
Et j'ai compris qu'il y avait qu'une façon
D'apprendre l'art de la multiplication.
Depuis j'ai plus voulu ressembler aux statues
Et j'ai laissé mes potes à la salle de muscu
Ma mère m'a jeté un bouquin sur la table
Un gros machin qui rentrait pas dans mon cartable
C'est tous ces mots qui ont allumé la lumière
Et spéciale dédicace au petit robert.
O Pequeno Robert
Pequeno, eu estava perdido, aqui se diz "a lourdes"
Naquilo que chamamos de uma família pesada
O amor lá era o oposto da dúvida
A cabeça grudada no aquecedor a óleo
Sonhador e ouso até dizer que estava nas nuvens
Esperando que me desenhassem um carneirinho.
Carneirinho eu era até na careca
Mas os penteados não têm nada a ver com literatura
A mão da minha mãe estava lá em caso de dúvida
Como um guarda-chuva que te protege da chuva
De chuva, e ouso até dizer do mau tempo
Não tínhamos nada, mas estávamos felizes.
{refrão:}
Mas foi antes de me mandarem embora
E de não falarem mais comigo no presente
Antes de rasgarem minhas páginas
E de me dizerem: "lugar e o próximo"
Antes de me dizerem que não havia mais lugar sentado
E... antes de não falarem mais comigo no presente
Antes de rasgarem uma página e me dizerem
Antes era antes... e lugar para o próximo.
Pequeno, eu era bonzinho, até agradável
Escrevia com os dois cotovelos na mesa
Tirava da boca as palavras feias
Como um pequeno príncipe da humanidade
Sonhador, eu cedia meu lugar para os mais velhos
Por um sorriso, um punhado de balas.
Eu tirava o boné ao entrar na escola
Mas ser educado não livra das broncas
Bonzinho, e ao mesmo tempo o último da classe
Acordado, como poderia ser uma lesma
Eu dormia, ouso até dizer tão profundo
E que o teto desmoronasse.
{refrão}
Porque eu esperava, pequeno príncipe dos gulosos
Que me trouxessem à boca pacotes de doces
Não tinha trocado, mas era quase a mesma coisa
Porque o beijo substituía o economista
Sonhador, e apesar das tarefas de carvão
Minha recompensa era um beijo no horizonte
Mas passou o século em que te mandam para o convento
Eu era tão ruim, minha mãe tomou a frente
E aparecia na escola com um pano na cabeça
A professora dizia "vejam essas rabiscadas!"
O coração em pedaços, ela fazia a água e o sal falarem
E voltava para a sua louça...
{refrão}
Às 18h em ponto, aparecia o pedreiro
Um único olhar e na hora do cozimento
Ele dizia "vocês querem que nos cortem as bolsas"
Com essas palavras uma lágrima descia da grande ursa
E eu entendi que havia apenas uma maneira
De aprender a arte da multiplicação.
Desde então não quis mais parecer com as estátuas
E deixei meus amigos na sala de musculação
Minha mãe jogou um livro na mesa
Um trambolho que não cabia na minha mochila
Foram todas essas palavras que acenderam a luz
E uma dedicatória especial ao pequeno Robert.
Composição: Magyd Cherfi / Zebda