Une tête à deux places
Là-bas tout me semblait connu,
convenu et déjà tout vu.
Des kilomètres de trottoir, délimitaient mon territoire.
Et même le mur où on dessinaient nos espoirs,
était trop petit pour contenir le nom,
et l'étendue de nos envies
à ça je n'ai pas su dire oui.
Mais je connais un coin seul,
où personne n'a posé ni le pied ni la main,
c'est dans ma tête derrière mon oeil,
y'a trop d'espace un jour peut-être;
j'aurai une tête à deux places,
j'aurai une tête à deux places.
Et puis j'a voulu voyager,
découvrir emprunter des avions des navettes spatiales.
J'ai volé d'escale en escale
chambres d'hôtels au bout du monde.
Mais toujours au fond d'un placard,
y'a un miroir dans lequel on se voit telle qu'on était,
en quittant le village, on n'trouve jamais que son image.
Mais je connais un coin seul,
où personne n'a posé ni le pied ni la main,
c'est dans ma tête derrière mon oeil,
y'a trop d'espace un jour peut-être;
j'aurai une tête à deux places,
j'aurai une tête à deux places.
Je ne sais pas si le bonheur enfui repasse,
mais si tu peux glisser ton coeur, sous ma cuirasse.
Mais je connais un coin seul,
où personne n'a posé ni le pied ni la main,
c'est dans ma tête derrière mon oeil,
y'a trop d'espace un jour peut-être;
j'aurai une tête à deux places,
j'aurai une tête à deux places.
Uma Cabeça com Dois Lugares
Lá longe tudo me parecia familiar,
combinado e já tudo visto.
Kilômetros de calçada delimitavam meu território.
E até a parede onde desenhávamos nossas esperanças,
era pequena demais para conter o nome,
e a extensão dos nossos desejos
sobre isso eu não soube dizer sim.
Mas eu conheço um canto isolado,
donde ninguém pôs nem o pé nem a mão,
é na minha cabeça atrás do meu olho,
há espaço demais, um dia talvez;
eu terei uma cabeça com dois lugares,
eu terei uma cabeça com dois lugares.
E então eu quis viajar,
descobrir, pegar aviões, naves espaciais.
Voei de escala em escala
em quartos de hotel pelo fim do mundo.
Mas sempre no fundo de um armário,
há um espelho onde a gente se vê como éramos,
ao deixar a vila, nunca encontramos mais que nossa imagem.
Mas eu conheço um canto isolado,
donde ninguém pôs nem o pé nem a mão,
é na minha cabeça atrás do meu olho,
há espaço demais, um dia talvez;
eu terei uma cabeça com dois lugares,
eu terei uma cabeça com dois lugares.
Não sei se a felicidade perdida volta,
mas se você puder deslizar seu coração, sob minha armadura.
Mas eu conheço um canto isolado,
donde ninguém pôs nem o pé nem a mão,
é na minha cabeça atrás do meu olho,
há espaço demais, um dia talvez;
eu terei uma cabeça com dois lugares,
eu terei uma cabeça com dois lugares.
Composição: Pierre-Yves Lebert