Assalto Lírico
Zona 111
[Akila no Blues]
Sempre que eu penso nessa história
Penso que poderia ter virado história
O tempo já passou e eu fiquei aqui
A chama da juventude
Começou a se extinguir
Porque
Eu nado sempre atrás do barco
Mesmo fazendo o melhor
Esse mar é muito grande
Eu já ficando velho
E pensando seriamente
O meu melhor já não é o bastante
[Peéli]
Se pá sou novo, se pa que não sou tanto
Eu penso muito, faço pouco, eu acho que tô chapando
Mas tudo bem, eu tenho fé a quem sempre me ensinou, o valor a pequenas coisas, a vida não é dor
O amor sempre prevaleceu, será que sou capaz de enfrentar o verdadeiro eu
A verdade é nua e crua, não importa a minha luta, o que eu não aprendi em casa eu aprendi na rua
[Static Di]
Vire vire mexe, uma tragédia acontece
E de vez
A da vez
A mesma, virei freguês
Tem quem ainda vem, sente pena e compadece
Enganei
Eu voltei
Não precisa fazer prece
De novo só agindo, pra, bagunça a cena
Pode tentar botar algema ou vem de coleira
Eu sou bicho ruim, dos que foge e logo acena
Mesmo na raiva não perco a risada
Viu o problema?
Mexeu com o bando, o bagulho fica louco
Isso é zona, se o papo é reto, nós faz ficar torto
Não preciso de migalhas que vem de quem come pouco
Quero o banquete a vista, cês não paga e cobra dobro
Tamo adentrando a cena
Fugindo do arquétipo
Pra adestra a mesma
Não tenho o que é pedido
Só sou quem ensina
Engole essa porra
Daqui pouco, mainstream vira poeira
Acho que, acho que tá bom
Vai tomar no seu cu, Peéli, que merda é essa?
Oxi, quem é você, ô introsona?
Me dá essa porra
Vai se fuder, porra
Vou te ensinar como faz rap de verdade
[Yang]
Mãos pro alto!
Isso é um assalto lírico
Quando chego invadindo
Acrescento saber empírico
Não quero sua grana
O furto é outro nível
Quero força e revolta
Contra esse governo cínico
Cês não me conhecem
Dá licença pra chegar
Sou Yang, sou do Graja
Tô aqui pra acrescentar
Tenho linhas e mais linhas
E uma sede insaciável
Quero meu bairro no mapa
E uma vida mais estável
Sangra arte da minha pele
Tenho ódio nos meus olhos
Um boombap bem do sujo
Disposição pra esse jogo
Sou poeta de esquina
O pixo que é ignorado
Ignoro o mal agouro
Tô sem tempo para folgado
Vim de assalto a mão letrada
Ostentando livros roubados
Quero arte pra quebrada
Munição contra o estado
Também quero os kit chave
A vitória pro meu bando
Se é grife de brecho
Rima rarra, tô garimpando
Fiz da rua meu sensei
A compaixão deixei pra trás
Vira homem nessa porra
Cê não é o último jedi
Cê não é o último jedi
Avança em ruas sujas
Os sapatos empoeirados
Se a caminhada é longa
Já não tem porque voltar
Tenho dó da sua pessoa
Cê tá competindo à toa
E se o assunto for rap
Já sabe quem vai ganhar



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