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Retrato da Seca

Zoroastro

Letra

    No céu azul não há nuvem errante
    A terra seca clama em desalento
    A vida se desfaz sob o Sol constante
    O gado magro geme no tormento
    A esperança resiste, mas distante
    Nos olhos do sertão, um triste intento

    O solo é pó que o vento leva ao norte
    Rachado, clama ao céu por umidade
    Os rios, antes vivos, têm a morte
    Cisterna seca amarga a saudade
    Enquanto o homem enfrenta sua sorte
    Plantando sonhos na aridez da realidade

    O mandacaru floresce em desafio
    Testemunha do tempo que castiga
    Em meio ao vazio, renasce o bravio
    A cada passo, a fé se instiga
    O sertanejo, forte como um rio
    Canta e trabalha, embora a dor persiga

    O Sol impiedoso fere a visão
    Enquanto o chão esquenta os pés cansados
    E o suor é sal que rega o coração
    Os sonhos são vales ensolarados
    Que vivem no sertão, na aspiração
    De dias amenos, jamais negados

    As noites, longas, trazem o refrigério
    Estrelas adornam o céu infinito
    Enquanto o vento sussurra seu mistério
    O canto das corujas, tão bonito
    Resgata a alma em meio ao hemisfério
    Do vasto sertão, silencioso e aflito

    E quando a chuva, enfim, beija o chão
    O sertanejo sorri, alma lavada
    Renova-se a fé, rompe-se a prisão
    A terra estéril torna-se abençoada
    E da dor brota nova geração
    O ciclo recomeça, em nova jornada

    Composição: Paulo Freitas Bittencourt Vieira. Essa informação está errada? Nos avise.

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