Exibições da letra 14

Carreiro do Sertão

Adail e Adalberto

Letra

    No tempo que eu fui carreiro no meu querido sertão
    Os passos lentos dos bois conhecia o estradão
    Saia de madrugada pra de tardinha voltar
    Dose léguas da cidade pro mantimento entregar
    Por cauda de uma morena tinha pressa de chegar
    Gritando o nome dos bois cantando pra disfarçar

    Vai, vai boiada levanta a poeira do chão
    Puxando a carga pesada machucando o meu coração

    Minha boiada carreira todos bois fortes e ligeiros
    Canário e Fumaça no meio na frente o Bordado e o Ponteiro
    A junta do cabeçalho era o Segredo e o Extremo
    Todos bois bem ensinados trabalhava o ano inteiro
    O meu caro apodreceu canta canzil e tamoeiro
    Só ficou como lembrança o nome dos bois carreiros

    Vai, vai boiada levanta a poeira do chão
    Puxando a carga pesada machucando o meu coração

    Lenço branco na cabeça minha mãe fazendo pão
    Meu pai chegando da roça indo lá pro mangueirão
    Meu irmão de oito anos vinha de cata pinhão
    Era uma vida sofrida tudo pra nós tava bom
    Mas ainda valeu a pena vivo de recordação
    Hoje eu pego na viola canto a minha canção

    Vai, vai boiada levanta a poeira do chão
    Puxando a carga pesada machucando o meu coração


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