
A Fábrica do Poema
Adriana Calcanhotto
Reflexão sobre criação e efemeridade em “A Fábrica do Poema”
Em “A Fábrica do Poema”, Adriana Calcanhotto faz uma homenagem sutil à arquiteta Lina Bo Bardi ao comparar o processo de criação poética à construção de um edifício. O verso “Sonho o poema de arquitetura ideal / Cuja própria nata de cimento / Encaixa palavra por palavra” mostra esse paralelo, expressando o desejo de criar algo sólido e duradouro, assim como as obras de Lina. No entanto, a música logo revela a frustração do processo criativo: ao acordar, tudo se desfaz, o poema “esfarrapa, fiapo por fiapo” e o prédio “esvoaça / Como um leve papel solto à mercê do vento”. Essas imagens reforçam a ideia de que a inspiração é passageira e que transformar ideias em algo concreto é um desafio constante.
O tom da canção se torna mais melancólico ao abordar a sensação de impotência diante do desaparecimento das palavras e das figuras de linguagem: “Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros / Sumidos no sorvedouro”. A letra sugere que nem a vigília, nem o sono, nem a espera garantem o retorno da inspiração, questionando “Sob que máscara retornará o recalcado?”. Essa pergunta destaca o caráter imprevisível do processo criativo, onde o que foi reprimido pode voltar de formas inesperadas. Assim, “A Fábrica do Poema” retrata a luta do artista para dar forma ao intangível, reconhecendo tanto a beleza quanto a frustração desse ofício.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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