
Corre o Munda
Adriana Calcanhotto
Relação entre tempo e saudade em “Corre o Munda”
Em “Corre o Munda”, Adriana Calcanhotto utiliza o nome antigo do rio Mondego para criar uma conexão direta entre a cidade de Coimbra e o fluxo do tempo. Ao repetir “Corre o munda” como refrão, a artista transforma o movimento do rio em símbolo da continuidade e da transformação, especialmente relevante por ter composto a música durante o confinamento da pandemia, quando o tempo parecia parado. Essa escolha reforça a ideia de que a vida em Coimbra está profundamente ligada ao ritmo das águas, sugerindo que o tempo e a cidade se misturam de forma inseparável.
A letra revela o fascínio de Calcanhotto por Coimbra, principalmente nos versos “Não existe rima para ti, Coimbra / Nem achei palavra para explicar-te”. Aqui, ela admite a dificuldade de descrever a cidade, destacando sua singularidade e mistério. O trecho “Não permita Deus que eu morra sem voltar / A flanar-te sob o céu cinza” expressa uma saudade intensa e o desejo de reencontro, sentimentos ampliados pelo isolamento da quarentena. Ao mencionar o “rio raso que te serpenteia”, Calcanhotto conecta sua experiência pessoal à paisagem de Coimbra, enquanto se define como “tua compositora sem eira nem beira”, mostrando entrega total à inspiração e ao sentimento de pertencimento, mesmo diante da incerteza. Assim, a música se torna uma homenagem à cidade e uma reflexão sobre tempo, memória e saudade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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