
Charamba
Adriano Correia de Oliveira
Ritual, luto e resistência em "Charamba" de Adriano Correia de Oliveira
"Charamba", de Adriano Correia de Oliveira, começa com uma introdução solene: "Em nome de Deus começo, Padre, Filho, Espírito Santo". Essa escolha cria um clima de ritual, sugerindo que cantar, especialmente em tempos de repressão como o Estado Novo, é um ato quase sagrado. O uso de referências religiosas pode ser visto como uma busca de proteção ou uma forma de legitimar a expressão artística diante da censura, reforçando a responsabilidade do artista ao se apresentar ao público.
A música explora sentimentos de saudade e luto, como nos versos "A saudade é um luto, é um luto é uma afeição" e "É um cortinado roxo que me corta o coração". Aqui, a saudade é apresentada como uma dor intensa, associada ao luto e à cor roxa, tradicionalmente ligada ao sofrimento em Portugal. O verso "Eu já vi andar a morte às costas de um peixe-rei" traz um tom misterioso, sugerindo a presença constante do perigo ou da morte, possivelmente uma referência à vigilância do regime. Já "Eu cá sei e tu lá sabes o que não sabes eu sei" indica cumplicidade e troca de segredos entre aqueles que resistem em silêncio. Assim, "Charamba" se destaca como um lamento coletivo, onde a música serve tanto como consolo quanto como forma de resistência.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Adriano Correia de Oliveira e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: