O Peso do Ar
Agnaldo Alves
O despertador toca, mas o dia não abriu
A luz invade o quarto, mas o peito ainda é frio
Os pés pesam toneladas pra tocar o chão
É uma guerra interna sem nenhum clarão
A lista de tarefas parece uma montanha
E a voz na minha cabeça, devagar, me ganha
Pra que sair daí? O mundo não te espera
E o inverno no meu peito não conhece a primavera
É uma luta constante contra o que eu não vejo
Gritando por socorro num silêncio de desejo
A mente é um labirinto, o corpo é uma prisão
Tentando achar o norte em meio à confusão
Não é tristeza passageira, não é só cansaço
É sentir o mundo inteiro desmoronando no meu passo
Amigos ligam e eu deixo tocar
Como explicar que não consigo nem falar?
A máscara sorri pra ninguém desconfiar
Mas por dentro o oceano insiste em transbordar
Dizem: Tenha força, dizem: Vai passar
Mas ninguém vê o esforço que é só respirar
A culpa me abraça como uma velha amiga
Me punindo por perdas de uma antiga intriga
E entre o eu quero e o eu não consigo
Eu me perco no escuro, sendo meu próprio inimigo
Mas no fundo, bem no fundo, ainda resta um sinal
Um sussurro que diz que esse não é o final
É uma luta constante contra o que eu não vejo
Gritando por socorro num silêncio de desejo
A mente é um labirinto, o corpo é uma prisão
Tentando achar o norte em meio à confusão
Não é tristeza passageira, não é só cansaço
É sentir o mundo inteiro desmoronando no meu passo
Um passo de cada vez, mesmo sem direção
Um suspiro profundo, a mão no coração
Amanhã eu tento de novo, amanhã eu vou tentar
Sobreviver ao peso, aprender a flutuar



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