
Desabafo
Almir Guineto
“Desabafo”: conselho de pai, afeto e responsabilidade
Embora soe como bronca, “Desabafo” é gesto de acolhimento. O verso “eu não vou te julgar / e quando quiser me abraçar pode vir que eu aceito” transforma a repreensão em proteção: a intenção é salvar, não punir. A narrativa é direta: um pai pede que o filho “tome jeito” e tenha cuidado, se expõe ao admitir erros (“já andei nessa velocidade”) e reafirma o vínculo (“você é um presente foi Deus quem me deu”). O lar surge como refúgio — “num teto repleto de amor” —, e a emoção aparece sem exibicionismo em “eu choro calado”, sinal de preocupação real com quem se arrisca.
As metáforas sustentam o conselho. “A sombra só vai existir quando houver uma luz” aponta o pai como guia; “eu sou sua causa e você é meu efeito” coloca origem e destino no mesmo elo. É possível ler também como fala de um mais velho da comunidade a um jovem, ou do próprio samba tradicional orientando a nova geração — coerente com a trajetória de Almir Guineto, fundador do Fundo de Quintal e figura do Morro do Salgueiro, que levou experiência em forma de conselho. “Velocidade” funciona em duplo sentido para a vida acelerada e arriscada, e o refrão equilibra firmeza e afeto: cobrar, sim; abandonar, nunca. Mesmo fora das faixas de O Suburbano (1981) e Almir Guineto (1986), a canção condensa marcas do repertório do artista: amor familiar, cuidado comunitário e transmissão de valores. No fim, o desabafo é um pacto: ele pede mudança, oferece colo e mantém a porta aberta.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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