
A Sanfona da Véia
Amácio Mazzaropi
Humor caipira em “A Sanfona da Véia”: a vizinhança
Para Amácio Mazzaropi, a graça nasce do cotidiano e do som. Em “A Sanfona da Véia”, o refrão onomatopeico “Nhec! Nhec! Nhec!” não é mero bordão: reproduz o rangido de uma sanfona desafinada e vira quase um personagem, presença incômoda e constante. Esse recurso de som físico vem do humor de circo que formou Mazzaropi e revela seu talento para transformar aborrecimento em riso compartilhado. A narrativa é direta: o eu lírico sofre com a vizinha “velha solteirona” que aprende sanfona e repete sempre o mesmo trecho — “Não sai desse pedaço”. O exagero cômico aparece nas ameaças, como “eu perco a cabeça e rasgo a sanfona da véia!”, e nas gírias: “me enche o sapato” (eufemismo de “enche o saco”) e “é de amargar” (muito ruim).
Ao escolher a sanfona — símbolo de festas do interior — Mazzaropi brinca com o choque entre a tradição que integra a comunidade e o barulho que perturba a convivência. A piada está no atrito entre perseverança e desafino: alguém insiste em aprender, enquanto a rua inteira sofre. A repetição, tanto do “Nhec! Nhec! Nhec!” quanto do trecho nunca superado, sustenta o ritmo humorístico e reforça a ideia de rotina que esgota a paciência. Ainda assim, há afeto no olhar do narrador: a queixa é ferina, porém reconhece as manias do povo e os tropeços de quem tenta, mesmo incomodando. É o retrato do universo caipira que Mazzaropi eternizou no cinema e na música, onde o riso nasce da convivência.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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