
A Raposa e As Uvas
Amado Batista
Memória e desejo em “A Raposa e As Uvas” de Amado Batista
"A Raposa e As Uvas", regravação de Amado Batista (2014) para o álbum O Negócio da China, retoma o sucesso de Reginaldo Rossi (1982) e inverte a moral da fábula: a "raposa" não desdenha as uvas; ela aprende a esperar dentro das regras sociais. Na gíria da época, "transava" significava combinar a farra, não sexo — no clima de bailinho havia laquê no cabelo, vestido rodado com anáguas, lambreta na porta, perfumes Lancaster e Chanel, orquestra tocando “Bésame Mucho” (beije-me muito) e "três, quatro cubas" de “Cuba Libre” (Cuba livre). Esse inventário sensorial contextualiza o flerte entre um "broto" e o rapaz que "fazia o papel do homem terrível" para protegê-la, encenando maturidade sem ultrapassar limites.
A narrativa vai do salão ao portão. No baile, ele aperta no compasso e mira o corpete; ela se esquiva. Ele insiste com paciência, certo de que virá ao menos um abraço no final e a carona de lambreta. A metáfora da raposa e das uvas explica a dinâmica: o beijo é desejado e difícil, mas, em vez de desqualificar o que não alcança, ele respeita o código do tempo. No portão, o beijo rápido, as mãos contidas e o medo do "velho" traduzem a vigilância doméstica. A pílula já existia, porém era tabu, e os conselhos maternos repetiam "só depois de casar". O resultado é um retrato de juventude em que desejo, etiqueta e limites caminham juntos; a graça está tanto na conquista gradual quanto no respeito às regras do baile.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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