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Dame El Otoño

Amaury Pérez

Letra

Me Dê o Outono

Dame El Otoño

Me dê o outono se apaguei a chama urgenteDame el otoño si apagué la llama urgente
De um sonho preso ao cinto da caríciaDe un sueño atado al cinturón de la caricia
E a ansiedade como penitência eternamenteY la ansiedad cual penitencia eternamente
Se é que o desejo me roubou a maravilhaSi es que el deseo me robó la maravilla

Me dê a pressa de um esquecimento não desejadoDame la prisa de un olvido no anhelado
Se não houve beijo que vencesse o azarS no hubo beso que venciera lo azaroso
A maldição de um golpe baixo no gemidoLa maldición de un golpe bajo en el quejido
O soluçar de cada estrela que pega lamaEl sollozar de cuanta estrella atrapa lodo

Me dê a Lua para amarrar os suspirosDame la Luna para atarle los suspiros
Que não conseguiram transcender a ventaniaQue no lograron trascender la ventolera
Um sorriso que devore a nostalgiaUna sonrisa que devore la nostalgia
E que derrube, indiferente, primaverasY que derrumbe, indiferente, primaveras

Me dê o castigo de uma noite de chuvasDame el castigo de una noche de aguaceros
E umas janelas desafiando o ar frioY unas ventanas desafiando el aire frío
Para arriscar a ilusão a outra quimeraPara arriesgarle la ilusión a otra quimera
Sem a influência do que é gasto e do que foi perdidoSin el influjo de lo ajado y lo perdido

Me dê essa mão que ataque contra tudoDame esa mano que arremeta contra todo
O que me cheire a castidade e a cama limpaLo que me huela a castidad y a cama limpia
Um contrabando de quietude e desamoresUn contrabando de quietud y desamores
Que me surpreenda a cada reviravolta da vidaQue me sorprenda a cada vuelco de la vida

Me dê um oceano de cruzes e misériasDame un océano de cruces y miserias
Onde eu possa aliviar um lembrança desmedidaDonde aliviarme de un recuerdo desmedido
Um horizonte de mentiras e correntesUn horizonte de mentiras y cadenas
Por cada gesto que renega de mim mesmoPor cada gesto que reniegue de mí mismo

Me dê o acaso para invadir os domíniosDame el azar para que invada los dominios
De um coração já corrompido e empoeiradoDe un corazón ya corrompido y polvoriento
Porque sobram ao amor e aos caminhosPorque le sobran al amor y a los caminos
Os corações corrompidos e empoeiradosLos corazones corrompidos y polvorientos

E me dê, enfim, a sombra triste que no escuroY dame, al fin, la sombra triste que en lo oscuro
Sem mais piedade deixa a luz, sem voz nem lamentoSin más piedad deja la luz, sin voz ni duelo
Porque atrapalham clarezas e ternurasPorque le estorban claridades y ternuras
A um cara desajeitado dominado pelos sonhosA un torpe tipo avasallado por los sueños

A um cara desajeitado dominado pelos sonhosA un torpe tipo avasallado por los sueños


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