Romance do Substantivo Comum
Anderson Mireski
Pra nós fiz um plural
Cheio de desejos singulares
Mas me dei mal: Teu ramo é o coletivo
Preferes amor aos pares
Me ajudei de pronomes
Pros nomes que te dei
Porém o tratamento certo
Eu não achei
De todas, a mais própria, assim se diz
Não topa qualquer um
Não me quer morto ou vivo
Pois sou substantivo muito comum
Não me quer morto ou vivo
Pois sou substantivo muito comum
Apelei pro Aurélio
E até pro Evangelho, vê se pode
Desesperado, então, tentei
Até o refrão de um pagode
Das pobres às mais ricas
Usei de todas as rimas possíveis
Em troca dos meus versos
Conjuntou-me uns tantos verbos indizíveis
Assistiu de camarote
Ao infame papelote que eu interpretei
Frente à cena tão patética
Pedi licença poética
E me retirei



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