Nostalgia
André Canterle
Bateu-me uma saudade do lugar onde eu nasci
Da casa, do galpão, da mangueira e do arvoredo
E do terreiro grande, pra um folguedos dos guris
E tinha gado de osso, pandorgas e brinquedos
A vida era simples, bem assim no meu recanto
Não tinha o consumismo, nem agitos de hoje em dia
Na paz do meu rincão, havia os encantos
Os quais ainda carrego nesta minha nostalgia
O canto das siriemas, o campestre verdejante
O arrulho das pombinhas, quero-queros sentinelas
No palco da figueira, bem te vis bem elegantes
Também os sabiás enfeitavam aquarelas
Na sanga um burburinho da água do lageado
Dançavam samambaias agarradas no barranco
Florzinhas se exibiam no tapete do gramado
E o cheiro adocicado do jasmim de pala branco
Pra aqueles ternos dias, onde a gente madrugava
Era lindo ver o Sol feito pilha no horizonte
Tinha um galo bem folheiro no poleiro que cantava
E uma vertente grande, poucos passos lá da fonte
Café com variedades e os quitutes naturais
O sabor e o contento, pão de forma bem quentinho
Preceitos e valores conduziam nossos pais
Com base no respeito, no amor e no carinho
Na roça o suor junto à terra misturava
A faina das capinas, do arado e saraquá
E os frutos para a mesa, do que a gente plantava
Se asomavam das colheitas e bordoadas de manguá
Na horta ou herbanário entre flores e legumes
Muita prosa e mate quente no aconchego do galpão
Eu sou daquele tempo que imperavam os bons costumes
Por isso a nostalgia mora da minha gente e do meu chão



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